Nacho Doce/Reuters
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Prejuízo da Oi cresce 268% e atinge R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre

Dívida bruta da empresa chegou a R$ 49,4 milhões no primeiro trimestre, aumento de 42,5% na comparação com o mesmo período de 2015

Luana Pavani e Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 09h58

SÃO PAULO - A Oi encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido consolidado de R$ 1,644 bilhão, 268% maior que o de R$ 447 milhões no mesmo período de 2015, impactado principalmente pelo resultado financeiro. Este foi de R$ 1,903 bilhão, 49,9% maior que no mesmo trimestre do ano anterior, quando era de R$ 1,269 bilhão.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,776 bilhão no primeiro trimestre de 2016, uma queda de 12,2% sobre o mesmo período do ano passado. A margem Ebitda caiu 2,4 pontos porcentuais, para 26,1%.

A receita líquida da operadora caiu 4% no período, para R$ 6,755 bilhões.

Dívida. A dívida bruta consolidada da Oi chegou a R$ 49,371 milhões no primeiro trimestre do ano, aumento de 42,5% na comparação com o mesmo período de 2015 e queda de 10,2% ante os três últimos meses de 2015.

A empresa informou que a queda ante o último trimestre do ano passado foi explicada principalmente pela amortização de principal e juros no valor de R$ 6,593 bilhões no período.

Sobre a elevação na comparação anual, declarou que os ativos e passivos da subsidiária Portugal Telecom International Finance (PTIF) não integravam o endividamento consolidado da Oi no primeiro trimestre de 2015, pois estavam classificados como "operações descontinuadas".

Já a dívida líquida da companhia ficou em R$ 40,84 bilhões em março deste ano, 25% maior do que o total do mesmo mês em 2015 (R$ 32,56 bilhões) e 7% superior aos R$ 38,15 bilhões registrada em dezembro de 2015.

As provisões para devedores duvidosos somaram R$ 127 milhões, queda de 12,9% contra o primeiro trimestre de 2015 e retração de 32,3% frente os três últimos meses de 2015.

Segundo a empresa, as retrações ocorreram devido a uma melhora no perfil de pagamento dos clientes. As provisões para devedores duvidosos corresponderam a 1,9% da receita líquida das operações brasileiras no período.

No primeiro trimestre do ano, o investimento (capex) consolidado da companhia totalizou R$ 1,252 bilhão, crescimento de 22,2% e de 15,3% em relação ao primeiro trimestre de 2015 e quarto trimestre do ano passado, respectivamente. Segundo a tele, houve um aumento do patamar de investimentos concentrado na rede móvel, especificamente relacionado a projetos para melhoria de cobertura e qualidade em 3G e 4G e para viabilizar entrega de ofertas lançadas recentemente (como Oi Total, Oi Livre, Oi Mais e Oi Mais Empresas).

A operadora encerrou o primeiro trimestre de 2016 com R$ 8,53 bilhões em caixa, queda de 49,3% na comparação com os últimos três meses de 2015. De acordo com a empresa, a redução no período ocorreu, principalmente, em função das amortizações de principal e juros com as dívidas, do pagamento da taxa regulatória anual do Fistel e do aumento do investimento (capex).

Em março, a Standard & Poor's rebaixou em quatro graus o rating na escala global da companhia, de B+ para CCC. A agência justificou que, se a troca da dívida não ocorrer nos próximos 12 meses, há chances aumentadas de um default em algum momento de 2017, "porque a Oi registraria déficits de fluxo de caixa em 2016 e 2017, em meio a um cronograma exigente de pagamento de dívida"

Negociação. O presidente da Oi, Bayard Gontijo, evitou dar detalhes sobre a reestruturação da dívida da companhia por causa de questões de confidencialidade, mas afirmou que a empresa já teve "conversas produtivas" com os credores. A Oi fechou acordo de confidencialidade com a Moelis & Company, assessora do comitê de bondholders, para iniciar discussões sobre termos de uma potencial reestruturação de dívida.

"Tivemos conversas produtivas. Temos a intenção de continuar e concluir a reestruturação da dívida imediatamente", afirmou. Bayard destacou ainda que a Moelis & Company é o único assessor de credores reconhecido pela empresa até este momento.

A empresa também contratou a PJT Partners como assessora financeira, bem como a White & Case e o escritório Barbosa Müssnich Aragão como assessores legais. O objetivo é que eles a auxiliem na avaliação de alternativas financeiras e estratégicas para otimizar sua liquidez e seu perfil de endividamento.

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