Sergio Moraes|Reuters
Sergio Moraes|Reuters

Prejuízo da Oi no 3º trimestre diminui, mas passa de R$ 1 bilhão

Protagonista da maior recuperação judicial da América Latina, tele teve queda de 6,3% na receita líquida e tenta ganhar fôlego com corte de custos

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2016 | 20h25

RIO - A Oi divulgou nesta quarta-feira, 9, um prejuízo de R$ 1,015 bilhão no terceiro trimestre, quase em linha com o do mesmo trimestre de 2015, mas superior à perda de R$ 656 milhões do segundo trimestre. Foi o oitavo resultado trimestral consecutivo no vermelho. Apesar do resultado negativo na última linha do balanço, a tele fechou o trimestre com uma melhora na geração de caixa e conseguiu cortar seus custos operacionais no País.

Protagonista da maior recuperação judicial da América Latina, com dívida de R$ 65,4 bilhões, a tele está sob risco de sofrer uma intervenção do governo. A operadora acumula perdas de R$ 3,3 bilhões nos nove meses encerrados em setembro, quase quatro vezes superior à apurada de janeiro a setembro de 2015. Sua dívida líquida atingiu R$, 41,184 bilhões, contra R$ 41,4 bilhões no fim de junho. Na comparação anual, entretanto, a alta foi de 10,6%.

Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o presidente da companhia, Marco Schroeder, disse acreditar que os números dão mais conforto para o processo de renegociação da dívida da companhia, que está em recuperação judicial. Em relação a uma possível intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na tele, Schroeder avalia que é parte do papel do órgão regulador do setor estar preparado para uma situação de stress.

"Se chegar a um cenário de stress, não houver um acordo, e eventualmente se colocar em risco as operações da companhia, ela (Anatel) tem que estar preparada para intervir. Esse não é o cenário hoje: estamos fazendo investimentos e gerando caixa", disse.

A operadora teve receita líquida de R$ 6,192 bilhões no Brasil no terceiro trimestre, queda de 5% sobre o mesmo período de 2015. A empresa sofreu uma redução em sua base de clientes, que passou a 67,890 milhões de pessoas, e sofreu o reflexo da queda nas recargas no pré-pago e no segmento corporativo.

A despeito disso, a Oi conseguiu aumentar em R$ 2 bilhões sua geração de caixa. O processo de recuperação judicial contribuiu para isso, ao congelar as execuções de dívidas, assim como a redução de custos de 2,5%, para R$ 4,6 bilhões. Considerando uma inflação de 8,5% nos últimos 12 meses, isso significou uma redução real superior a 10% nos custos do período. "Isso dá um certo conforto para trazer as pessoas para a mesa e fazer a renegociação da dívida", afirmou.

Em recuperação judicial desde junho, a Oi tem sua situação agravada pela acirrada disputa entre os antigos e novos acionistas, investidores dispostos a tomar seu controle, credores e "bondholders" (detentores de bônus emitidos no exterior). A falta de entendimento entre as partes envolvidas na tentativa de saneamento da tele tem fortalecido a hipótese de intervenção estatal.

Na segunda-feira, o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicação, Gilberto Kassab, admitiu que está em estudo a edição de uma medida provisória (MP) que permitiria a entrada do governo na empresa, ainda que temporária. No dia seguinte, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proibiu o fundo Société Mondiale, ligado ao empresário Nelson Tanure, de participar das reuniões do conselho de administração da Oi. Segundo a agência reguladora, essa participação "materializa o ingresso do Societé no bloco de controle da Oi S.A.", e só poderia ocorrer após a concessão de anuência prévia pelo seu conselho diretor da Anatel, o que ainda não ocorreu.

Em comunicado divulgado hoje em resposta a ofícios da bolsa de valores e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oi afirmou que "os representantes indicados pelo acionista Société Mondiale participaram de reuniões do Conselho de Administração da Companhia na qualidade de ouvintes e não exerceram influência sobre as deliberações tomadas nas reuniões". Segundo Schroeder, os conselheiros do fundo não participaram da reunião desta quarta, que contou com a presença de um representante da Anatel como ouvinte.

Segundo o presidente da Anatel, Juarez Quadros, o governo pode publicar a medida provisória possibilitando a intervenção na Oi antes do fim da recuperação judicial, para evitar a falência da tele. A Oi opera em 4,5 mil municípios no País, em telefonia fixa, móvel e banda larga.

Apesar de cogitar intervir o discurso do governo tem sido o de esperar que isso não ocorra e que a crise da companhia se resolva por meio de uma solução de mercado. Além de Tanure, outro interessado declarado na operadora é o bilionário egípcio Naguib Sawiris, que tem contestado a eficácia do plano de recuperação apresentado à Justiça pela Oi.

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