Premiê da Grécia cobra que partidos apoiem 2º resgate por escrito

Documento assinado por líderes políticos gregos é precondição para a liberação da sexta parcela de ajuda ao país; partido conservador, no entanto, se recusa a assinar

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de novembro de 2011 | 16h07

O novo primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, reiterou nesta segunda-feira, 21, que os líderes dos principais partidos do país terão de fornecer um documento por escrito se comprometendo com a adoção e implementação das medidas relacionadas ao segundo pacote de resgate.

"Os líderes dos partidos que apoiam o governo já expressaram seu acordo por meio do voto de confiança. Ao mesmo tempo, eu acrescentei que é importante que os líderes respondam positivamente ao pedido do Eurogrupo (que reúne os ministros de Finanças da zona do euro), da União Europeia e do FMI, porque isso está relacionado a um horizonte mais longo do que o horizonte previsto para esse governo", disse Papademos após uma reunião com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, na Bélgica.

A UE tem exigido repetidamente que os líderes políticos da Grécia assinem um documento se comprometendo com o segundo pacote, como uma precondição para a liberação da sexta parcela do primeiro pacote de resgate, de 8 bilhões de euros. Mas o líder do partido conservador, Antonis Samaras, se recusa a assinar o documento.

Para Barroso, a principal prioridade da Grécia no momento é "adotar as medidas necessárias para a liberação da sexta parcela assim que possível". O presidente da Comissão Europeia traçou um panorama dramático da situação grega, mas reiterou sua confiança no governo de Papademos. "A situação é extremamente séria, talvez mais séria do que em qualquer outro momento nos últimos 18 meses", comentou.

Outra prioridade apontada por Barroso é um acordo sobre o desconto (haircut) de 50% no valor dos bônus gregos detidos por credores privados. "A troca voluntária dos bônus com credores privados deve acontecer no começo de 2012", disse. Papademos afirmou que o plano do haircut pode reduzir a dívida grega para o equivalente a 120% do PIB em 2020. "Eu acredito que os prospectos são excelentes".

Barroso também deixou claro que o país precisa aceitar o segundo pacote de resgate, que deve ser suficiente para financiar o governo grego por cerca de três anos. "Um segundo programa de assistência financeira para a Grécia para os próximos três anos precisa ser concluído até o fim deste ano", disse. Papademos afirmou que o novo socorro exige um segundo plano financeiro de médio prazo. O primeiro, que incluiu duras medidas de austeridade, foi amplamente criticado por sindicatos e causou violentos protestos.

Papademos deve se encontrar ainda hoje com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Depois ele viaja para Luxemburgo, para se reunir com o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

As informações são da Dow Jones.

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