Premiê espanhol defende pela 1ª vez o pedido de ajuda aos bancos

Mariano Rajoy diz que bancos pagarão todos os custos da ajuda e culpou o governo anterior por não agir para lidar com o impacto do estouro da bolha imobiliária na Espanha

Danielle Chaves, da Agência Estado,

13 de junho de 2012 | 09h18

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, defendeu o pedido de ajuda para o setor bancário do país, uma atitude que ele rejeitou por muito tempo. Respondendo a perguntas da oposição no Parlamento pela primeira vez desde que o país aceitou uma assistência de até 100 bilhões de euros da União Europeia, Rajoy culpou o governo anterior por não agir para lidar com o impacto do estouro da bolha imobiliária na Espanha.

Rajoy argumentou que seu governo foi forçado a pedir ajuda porque a Espanha não tem recursos para socorrer os bancos do país. "A Espanha fracassou em reformar o sistema bancário em 2009", afirmou o premiê, por isso agora será preciso reformar o setor financeiro com fundos europeus. O ministro de Finanças espanhol, Luís de Guindos, disse aos parlamentares que se a Espanha tivesse injetado dinheiro nos bancos três anos atrás, "estaria cantando outra canção".

Segundo Rajoy, a ajuda da União Europeia para os bancos será canalizada por meio do governo, mas o setor financeiro pagará todos os custos. As condições atreladas ao empréstimo se concentrarão na reestruturação do setor bancário e não afetarão a sociedade, acrescentou o premiê.

A implementação de reformas estruturais e a redução do déficit orçamentário continuam sendo as principais metas do governo, disse Rajoy, destacando que a crise da Espanha está ligada aos problemas mais amplos na zona do euro.

Mercados

O primeiro-ministro da Espanha também pediu que os líderes europeus tomem uma atitude imediata para combater o aumento da volatilidade nos mercados e insistiu que o Banco Central Europeu (BCE) implemente medidas para garantir a estabilidade financeira.

"A única instituição que tem capacidade para garantir a estabilidade e a liquidez necessárias no momento é o Banco Central Europeu", disse o premiê em carta enviada aos líderes da União Europeia em 6 de junho e divulgada nesta quarta-feira pelo governo espanhol.

Segundo Rajoy, a zona do euro "precisa usar todos os instrumentos à disposição" para combater a turbulência no mercado financeiro. "Nós precisamos agir urgentemente para estabilizar os mercados financeiros e reduzir os prêmios de risco", afirmou o premiê.

No último sábado a Espanha pediu ajuda internacional para os bancos do país, mas o acordo acabou ampliando as dúvidas dos investidores sobre a capacidade dos líderes europeus de controlar a crise da zona do euro. Essas preocupações provocaram aumento no yield (retorno) dos bônus espanhóis de dez anos, que se aproximou de 7% ontem. As informações são da Dow Jones.

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