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Premiê japonês renova gabinete focando iene, dívida e economia

Entre as medidas já previstas, está a compilação de um orçamento extra para o atual ano fiscal 

Reuters,

17 de setembro de 2010 | 07h03

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, colocou aliados nos principais postos do governo durante um rearranjo no gabinete nesta sexta-feira, sinalizando que planeja caminhar com os esforços para conter a alta dívida pública enquanto luta contra um iene forte e uma economia fraca.

Kan vai instruir o novo gabinete a compilar um orçamento extra para o atual ano fiscal, que se encerra em 31 de março de 2011, disse a agência de notícias.

A Kyodo acrescentou que os recursos do orçamento serão levantados sem emitir novos bônus do governo. Isso significa que o governo terá que usar reservas, contas especiais e recursos superavitários do orçamento do ano passado.

Kan manteve o ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, no posto. No começo desta semana, o ministro promoveu a primeira intervenção do país no mercado cambial em seis anos para conter a alta do iene e proteger a economia altamente dependente das exportações.

Noda disse que o Japão está pronto para intervir novamente, se necessário, mas ressaltou que Tóquio precisa trabalhar para obter a compreensão global sobre suas ações, que geraram críticas de autoridades de outros países.

"Eu estou ciente de que há várias opiniões. Mas a política do Japão é de que uma alta prolongada do iene não é desejável, já que a economia continua em uma situação severa com deflação", disse ele a jornalistas.

Kan, que tomou posse em junho como o quinto primeiro-ministro do país em três anos, derrotou o rival Ichiro Ozawa em uma votação pela liderança do partido na terça-feira. Kan escolheu Banri Kaieda, partidário de Ozawa, como ministro da Economia.

O aliado de Kan Koichiro Gemba foi nomeado novo ministro de estrategia nacional.

Kan prometeu manter a emissão de novos bônus do governo no atual ano fiscal no patamar deste ano de cerca de 44 trilhões de ienes.

Iene

O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, prometeu intervir no mercado de câmbio externo novamente se isso for necessário para enfraquecer o iene, sinalizando a determinação do governo de defender a economia nacional movida por exportações, apesar das críticas internacionais.

"Como temos dito, nossa posição básica é de que vamos tomar medidas decisivas, incluindo intervenção, se necessário, e eu gostaria de manter essa posição", afirmou Noda após uma reunião de gabinete. A declaração sugere que, embora ainda valorize a cooperação internacional e vá continuar tentando obter apoio dos EUA e da União Europeia para a sua campanha contra a valorização do iene, o governo japonês intervirá no mercado se o iene subir fortemente ou rapidamente.

Ontem Jean-Claude Juncker, presidente do grupo de ministros de Finanças da zona do euro, o Eurogroup, afirmou que os membros da zona do euro "não gostam de intervenção unilateral". Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, por sua vez, até agora falou pouco sobre a atitude japonesa, o que leva alguns observadores a acreditar que os EUA farão vista grossa à ação.

Noda afirmou que, "em um momento em que a economia do país está na mira de uma situação grave com contínua deflação, não seria favorável se o iene se fortalecer mais e se essa tendência de alta se prolongar". "Eu acredito que é importante nós explicarmos nossa situação para a comunidade internacional", disse o ministro.

O Japão agiu unilateralmente na quarta-feira por meio da venda de cerca de 2 trilhões de ienes, na primeira intervenção no câmbio em mais de seis anos. O secretário-chefe do gabinete, Yoshito Sengoku, sugeriu recentemente que a meta da intervenção é manter o dólar acima de 82 ienes. No entanto, Noda negou essa informação, dizendo que "não há uma linha particular de defesa". Às 9h (de Brasília), o dólar operava a 85,71 ienes, de 85,81 ienes no fim da tarde de ontem.

(Com informações da Agência Estado)

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