Presença no mercado de ações é baixa

Apenas seis companhias do Sul foram ao mercado captar recursos desde 2004; presença no mercado acionário brasileiro é de 4,6%

Paulo Fortuna, especial para O Estado de S. Paulo,

26 de maio de 2010 | 15h46

As empresas do Sul do País estão longe de mostrar na bolsa um desempenho compatível com o tamanho da economia da região e o vigor do seu mercado consumidor. As companhias locais tiveram desempenho tímido no processo de expansão do mercado de capitais do País nos últimos anos, ainda que os especialistas do setor apontassem uma série delas com potencial para atrair investidores.

Entre 2004 e 2009, 116 companhias fizeram ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) no Brasil, mas apenas seis tinham sede na Região Sul.

O resultado é que, enquanto o PIB da região do Sul representa 16,2% do nacional, as empresas da região somam 4,9% do valor de mercado das companhias listadas na BM&FBovespa, segundo o Banco Geração Futuro.

"Apenas 13 companhias do Sul listadas em bolsa possuem valor de mercado superior a R$ 1 bilhão", ressalta Wagner Salaverry, sócio-diretor do Banco Geração Futuro. Para ele, a falta de cultura de mercado de capitais entre os empresários locais é determinante para o atual quadro. "O empresário não tem essa referência, faltam exemplos de sucesso de companhias da região na bolsa que estimulem a abertura de capital."

Existem outras questões que inibem a participação no mercado de capitais - e consequentemente na captação de recursos.

"Há muitas empresas familiares cujos proprietários têm dificuldades de abrir mão do controle total e prestar contas ao mercado", afirma Salaverry. Ele destaca que ainda há poucas empresas na região de porte médio - como ocorre em São Paulo - com potencial para captar recursos no mercado e crescer.

O executivo lembra que no Rio Grande do Sul, o ambiente político instável, a falta de políticas de longo prazo e o predomínio da cultura estatizante são fatores de desestímulo aos empreendedores locais.

Esse ambiente adverso, diz, contribuiu para que empresas da região fossem absorvidas por outros grupos nacionais e internacionais que, por sua vez, mudaram o comando e o foco dos investimentos para outras regiões. Ele citou os casos da Ipiranga/Copesul (combustíveis e petroquímica), Avipal/Elegê (alimentos), Tintas Renner (tintas e revestimentos), Frangosul (alimentos), Lojas Arno (varejo), Zambrogna (distribuição de aço), Expresso Mercúrio (transportes) e Trafo (transformadores) entre essas companhias.

Outras empresas, com a administração no Sul, concentraram investimentos em outras partes do Brasil. Ele cita a BRF-Brasil Foods, que investe no Centro-Oeste, Grendene/Azaléia, no Nordeste, e a Weg, com investimentos no Sudeste.

Valorizada. O levantamento do Banco Geração Futuro mostra um desempenho excepcional de algumas companhias locais na bolsa, mas com um participação restrita e perfil atípico em comparação com a média regional. O valor de mercado das empresas do Sul na bolsa é de R$ 98,4 bilhões, mas somente a Gerdau (R$ 30,5 bilhões), do setor siderúrgico, e BRF Foods - Brasil Foods (R$ 19,7 bilhões), da área de alimentos, respondem por mais da metade do montante. A Gerdau, ainda que tenha o poder de decisão centralizado no Rio Grande do Sul, é uma companhia global que hoje tem investimentos mais fora do que dentro do Estado.

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