Marcos de Paula|Estadão
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Presidente da Eletrobrás defende demissão voluntária

Wilson Ferreira Junior disse que estatal tem perfil ‘muito envelhecido’, já que 20% do quadro tem mais de 55 anos

Luciana Collet, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 23h02

O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior, afirmou que a empresa olha para 2018 como ponto de virada na companhia, e que, ao longo de 2017, ainda será verificada alguma volatilidade em termos de despesas em função da desmobilização de pessoas. “Mas, em 2018, já deveremos estar no ajuste fino”, disse Ferreira Junior, durante evento promovido pela revista Exame, em São Paulo. “Dá para chegar com a empresa muito melhor a partir de 2018.”

Questionado sobre o quadro de funcionários da estatal, Ferreira Junior afirmou que a companhia possui um perfil “muito envelhecido”, informando que 20% do quadro tem mais de 55 anos. “Não dá para mandar as pessoas embora por baixo desempenho. Tem um jeito de fazer, que é o plano de incentivo à aposentadoria ou o PDV”, afirmou. Segundo o executivo, esses planos podem fazer bem para a empresa.

Segundo Ferreira Junior, o comportamento da empresa no período de 2012 a 2015 dava a entender que não existia um contexto de crise, frisando que não é aceitável passar por cima do equilíbrio fiscal. “Dá para recuperar, tem de ser recuperado, mas poderia ser mais simples”, disse o executivo. “A disciplina financeira e o equilíbrio fiscal são obrigação de qualquer gestor de ativo público, e não foi respeitada como deveria.

No evento, o executivo disse ainda que espera concluir a negociação com a Petrobrás, com relação a uma dívida de cerca de R$ 5,5 bilhões, ainda este ano. A dívida foi contraída pelas distribuidoras de energia controladas pela Elebrobrás e se refere ao fornecimento de gás e combustíveis da Petrobrás e da BR Distribuidora realizado desde dezembro de 2014 até hoje.

As discussões, de acordo com Ferreira Junior, estão ocorrendo entre as equipes das duas empresas e tendem a subir de nível, para que o tema seja apreciado diretamente entre os presidentes. Ele e o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, também presente ao evento, teriam combinado uma conversa.

Ferreira Junior disse que a negociação faz parte do movimento da Eletrobrás de buscar restabelecer a confiança do mercado na estatal. “Tínhamos muita inadimplência setorial, com os nossos sócios e com alguns fornecedores, entre eles, a Petrobrás. É uma orientação de que, como parte do trabalho de boa governança, façamos um esforço para negociar ou pagar (as dívidas).”

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