Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Presidente da Oi vê capítulo crítico superado e prepara nova fase da empresa

Após a venda da unidade de telefonia móvel, o grupo espera turbinar o faturamento com a exploração do mercado de fibra ótica

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2022 | 19h17

A aprovação da venda da rede móvel da Oi para Claro, TIM e Vivo em votação apertada do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na última semana, foi uma etapa crucial no processo de reestruturação da antiga empresa nacional. A jornada, porém, ainda está longe de terminar. "Não estamos no final do plano, mas apenas concluindo um capítulo crítico. Agora começa outro, que é a construção da Nova Oi", afirma o presidente da companhia, Rodrigo Abreu, em entrevista ao Broadcast. "Ainda vão alguns anos pela frente até que esse processo esteja completo".

Ao sair do mercado de telefonia e internet móveis, o principal negócio da Nova Oi será a oferta de fibra ótica por meio da empresa V.tal, que tem o BTG Pactual como sócio. A Oi já possui a maior rede de fibra do País e um plano de investimentos pesados na sua expansão. A rede servirá tanto para a oferta de banda larga para consumidores da Oi quanto para outras operadoras regionais que têm seus próprios clientes.

Paralelamente, a Nova Oi terá que amortizar as dívidas gigantescas que a colocaram no processo de recuperação judicial aberto em 2016. Dos R$ 16,5 bilhões a serem recebidos pela venda das redes móveis, a tele destinará R$ 12 bilhões para credores. Os primeiro da fila de pagamentos são: o BNDES, R$ 4,7 bilhões; o empréstimo-ponte de R$ 2 bilhões; e cerca de R$ 4,5 bilhões em bonds (títulos de renda fixa).

A Nova Oi deve baixar a sua dívida líquida de R$ 30 bilhões para algo em torno de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões tão logo a transação seja finalizada - o que continua previsto para o fim de março. Mas, segundo Abreu, existe a chance de "passar um pouquinho, pois o processo é complexo", conforme suas palavras.

Com o sinal verde pelo Cade, os ativos da Oi Móvel (clientes, antenas e radiofrequências, entre outros) estão sendo transferidos para sociedades de propósito específicos que, mais tarde, passarão para as compradoras TIM, Vivo e Claro. "É uma fase que tem trabalhos técnicos, operacionais e burocráticos. Todos estão sendo cumpridos com o maior cuidado possível para não impactar nenhum de nossos clientes", disse Abreu. "A nossa intenção é correr com todos os processos e manter os prazos", emendou.

O executivo disse que há caixa suficiente para abastecer as operações e os investimentos programados, bem como os compromissos assumidos com credores até lá. Já se a transação fosse rejeitada pelo Cade, aí sim a empresa caminharia para uma situação de insolvência. A data definida pelo juízo para o encerramento da recuperação judicial da tele é 31 de março, mas os credores aceitaram 31 de maio como prazo final. 

Sem o peso das dívidas antigas, a Nova Oi ainda terá uma alavancagem elevada, uma vez que deixará de ter as receitas do mercado móvel. Em contrapartida, o grupo espera turbinar o faturamento com a exploração do mercado de fibra ótica. O plano estratégico da Nova Oi prevê alcançar uma receita líquida em torno de R$ 14,5 bilhões a R$ 15,5 bilhões até 2024, chegando a um patamar de alavancagem inferior a 3 vezes. "Com os cortes na dívida somados à incorporação das receitas da V.tal, a expectativa será de trazer a companhia para um patamar de alavancagem sustentável".

Último capítulo

O último pilar da reestruturação da Nova Oi está no processo de arbitragem aberto junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para rever a sustentabilidade da concessão de telefonia fixa, que tem gerado prejuízos sequenciais para a companhia. A discussão vai abranger também o saldo do Plano Geral de Metas para a Universalização - que estabeleceu obrigações às operadoras na prestação desses serviços - bem como uma possível compensação de investimentos regulatórios.

"Resta uma missão para a companhia, que é trabalhar no equacionamento da concessão de telefonia fixa. Esse é um último passo para buscarmos a sustentabilidade plena", disse. A previsão é ter um desfecho no processo da arbitragem entre o fim de 2022 e começo de 2023. Abreu ingressou na Oi em 2018, como membro do conselho de administração, e assumiu o cargo de presidente executivo em 2020. No último mês, foi reeleito para o cargo até janeiro de 2024.

Migração de clientes

Os 42 milhões de clientes atuais da Oi serão divididos às concorrentes Claro, TIM e Vivo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que teles apresentem um plano detalhado sobre como será a transferência dos números. Fora isso, a agência reguladora determinou o consumidor tenha o direito da portabilidade da linha telefônica, bem como a ausência de cobrança em virtude de quebra de fidelização dos contratos dos clientes, e a disponibilização de canais para solucionar eventuais dúvidas.

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