Presidente diz que salvamento da OGPar é o que interessa

Apesar da liminar obtida pela Diamond Offshore Netherlands para tentar impedir os detentores de títulos de votarem na assembleia de credores da OGPar (antiga OGX), o presidente da companhia, Paulo Narcélio, está confiante na aprovação do plano de recuperação judicial. Mesmo que o grupo não vote, a avaliação é que para a maioria dos fornecedores interessa o salvamento da empresa.

MARIANA SALLOWICZ E MARIANA DURÃO, Agencia Estado

29 de maio de 2014 | 20h44

"Não enxergamos interesse de que a companhia seja liquidada. Boa parte desses credores ainda são fornecedores". A manutenção da liminar significa restringir a votação, diz, "aos detentores de apenas 10% dos créditos". "É um processo que fica questionável, com pouca legitimidade."

Os bondholders possuem US$ 3,6 bilhões em títulos da OGPar, mas não aparecem individualizados na lista de credores. A maior parte deles está representada pelo Deutsche Bank (instituição depositária de parte dos bônus). A liminar determina que votem apenas os credores listados. A OSX tem US$ 1,5 bilhão a receber e os demais fornecedores cerca de US$ 500 mil.

Segundo fontes envolvidas nas negociações, a petroleira apresentou hoje recurso para cassar a liminar que impede os detentores de títulos de votarem na reunião de credores marcada para terça-feira, 3, na Bolsa de Valores do Rio.

Caso o plano seja aprovado no dia 3, a expectativa é que 30 dias depois o documento seja homologado. Cumprido à risca o cronograma de aprovação do plano e conversão das dívidas em ações, a OGPar passaria a ter novos controladores em um prazo de cinco meses (150 dias) após a aprovação do plano de recuperação judicial pelos credores. Após a reestruturação, os credores passarão a ter 90% da empresa, os minoritários ficarão com uma fatia de 4,98%, a Centennial, controlada por Eike, terá 5,02%, e o empresário ficará com apenas uma ação.

Narcélio diz que sair da recuperação judicial é fundamental para a OGPar "voltar a ter uma vida normal". A condição de "recuperanda" restringe as alternativas de financiamento. Ele informou que negocia um tipo de financiamento em que são oferecidas como garantia as reservas certificadas do campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos, e da fatia da ex-OGX no bloco BS-4, na bacia de Santos. A modalidade é chamada "Reserve Based Lending".

O objetivo é levantar os recursos equivalentes ao montante que será investido pela companhia em 2015. O valor, porém, não está definido. A companhia tem ainda R$ 95 milhões a receber pela venda da OGX Maranhão e pleiteia R$ 92 milhões de crédito de Imposto de Renda retido referente ao ano de 2010.

Há ainda a expectativa de ingresso de US$ 30 milhões na empresa com a venda de ativos na Colômbia, além da liberação de US$ 14 milhões dados em garantia à Agência Nacional de Hidrocarburos (a ANP local).

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