Presidente do Eurogrupo coloca em dúvida parcela do FMI para Grécia

País poderá não receber próxima parcela se auditoria de suas contas orçamentárias mostrar que não há garantia de financiamento para os próximos 12 meses 

Regina Cardeal, da Agência Estado,

26 de maio de 2011 | 12h57

A Grécia poderá não receber a próxima parcela de ajuda financeira do FMI se uma auditoria de suas contas orçamentárias mostrar que o país não pode garantir financiamento para os próximos 12 meses, disse o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. "Eu não sou o porta-voz do FMI, mas as normas dizem que o desembolso só pode ser feito se houver garantia de financiamento por um período de 12 meses", disse Juncker.

A indicação de que a próxima tranche de ajuda para a Grécia está em dúvida colocou pressão sobre o euro e os bônus soberanos da Grécia. Às 12h35 (de Brasília), o euro reduzia sua alta para US$ 1,4100, ainda acima do US$ 1,4086 no fim da tarde de ontem, mas abaixo da máxima de US$ 1,4208 registrada mais cedo. O spread do contrato CDS (Credit Default Swap) para garantir bônus de cinco anos da Grécia subiu 40 pontos-base para 1.448 pontos-base.

Ele indicou que, se a auditoria concluir que o desembolso antes de 29 de junho não poderá operacionalmente ocorrer, a expectativa do FMI é de que os europeus tomem seu lugar. Juncker disse que alguns países, como Alemanha e Finlândia, não aceitariam isso. Tudo dependerá do relatório que será divulgado na próxima semana, acrescentou.

Juncker disse que o Eurogrupo, que reúne os ministros de Economia e Finanças da zona do euro, está em contato com seus colegas em Washington. "Creio que teremos uma avaliação final do FMI no início da próxima semana quanto às metas orçamentárias da Grécia e posteriormente sobre a sustentabilidade da dívida grega, daí então tomaremos nossas decisões", acrescentou.

Reiterando que não pode falar em nome do FMI, Juncker disse que "isso precisa ser checado e, na ausência da garantia de financiamento, o FMI não pode desembolsar". Segundo Juncker, "isso não é novo, mas parte do problema". Ele afirmou que estender o vencimento dos bônus soberanos gregos só poderá acontecer quando o déficit orçamentário do país for controlado.

"Sou contra uma simples reestruturação, uma vez que os riscos são desconhecidos e, tenho a impressão, há a possibilidade de contágio", afirmou Juncker. As informações são da Dow Jones.

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