Presidente do Fed de Atlanta se diz favorável a mais estímulo monetário

Comentários reforçam a expectativa de que o BC dos EUA adotará medidas de afrouxamento quantitativo em breve

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

18 de outubro de 2010 | 15h33

O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, afirmou ser favorável à adoção de mais medidas de afrouxamento quantitativo por parte do banco central dos EUA como forma de estimular a economia do país. Ele não possui direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) neste ano.

"Neste momento, e dadas as circunstâncias de crescimento lento e inflação muito baixa, dou mais peso ao risco de desaceleração na inflação e de deflação", afirmou a autoridade em um discurso preparado. "Estou inclinado a estímulos monetários adicionais, embora reconheça os riscos de longo prazo desta política", acrescentou.

Os comentários de Lockhart reforçam a expectativa de que o Fed adotará medidas de afrouxamento quantitativo em breve. Na última reunião de política monetária do banco central, as autoridades divulgaram que estava preparadas para oferecer mais apoio à economia.

A maior parte dos analistas de Wall Street acredita que uma eventual intervenção do Fed viria na forma de compras de Treasuries de longo prazo, numa tentativa de reduzir as taxas de juros e oferecer mais liquidez à economia. Há receios, no entanto, com a possibilidade de esse tipo de medida não trazer um benefício significativo, visto que muitas famílias e empresas norte-americanas estão tentando reduzir suas dívidas em vez de adquirir mais empréstimos.

Lockhart afirmou que a intervenção do Fed não afetaria apenas a disponibilidade de crédito. Segundo ele, ao adquirir mais Treasuries, o banco central pode deslocar investimentos para ativos de maior risco e potencialmente mais voltados para o setor produtivo, como bônus corporativos.

O presidente do Fed de Atlanta disse ainda que a retomada do programa de compras de Treasuries também poderia afetar o dólar. A especulação do mercado "já provocou um declínio no valor do dólar nos mercados de câmbio e contribuiu para o aumento dos receios a respeito de esforços entre as nações para influenciar a posição relativa de suas moedas. Os vendedores de dólares estão respondendo à perspectiva de retornos menores", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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