Presidente dos Correios confirma demissão

Segundo Carlos Henrique Custódio, 'ao que tudo indica', decisão foi orientação da Casa Civil e do presidente Lula

Leonardo Goy, da Agência Estado,

28 de julho de 2010 | 19h20

O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, demitiu nesta quarta-feira, 28, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, do cargo. A informação foi confirmada há pouco pelo próprio Custódio, em entrevista a jornalistas. Segundo ele, a decisão não partiu do ministério e, "ao que tudo indica", foi uma orientação da Casa Civil e do presidente da República.

Custódio recebeu a notícia pouco depois de participar de evento, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de lançamento do selo comemorativo aos 150 Anos do ministério da Agricultura. A cerimônia está sendo realizada no Clube do Exército, mas, segundo Custódio, durante o evento, Lula não deu qualquer sinalização a ele sobre a demissão.

O presidente dos Correios recebeu um aviso para comparecer à sede do ministério das Comunicações, onde foi recebido há pouco pelo ministro e foi comunicado da demissão, que será publicada na edição de amanhã do Diário Oficial da União.

Questionado sobre o motivo de sua demissão, Custódio disse que, na sua opinião, há uma questão política porque, segundo ele, do ponto de vista operacional, não há questionamento sobre sua gestão. "Posso discutir todos os números: faturamento, produtividade, salários e comparar com outros correios do mundo", disse ele, ressaltando que, em sua gestão, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) conseguiu quatro anos consecutivos de lucro operacional.

Mala direta

O presidente demissionário dos Correios, Carlos Henrique Custódio, disse há pouco que não vê relação entre a sua demissão e o polêmico hot site da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) - já retirado do ar - que dava dicas aos candidatos às eleições de outubro como fazer campanha usando mala direta. Segundo ele, o serviço de mala direta para candidatos não é uma novidade nos Correios e é um nicho de mercado para a empresa. "Vários correios fazem isso", disse.

Ele admitiu, porém, que "talvez algumas considerações não tivessem sido feitas". O site dava conselhos aos candidatos sobre abordagens que poderiam usar com os eleitores, usando os produtos dos Correios. "Acho que isso não contribuiu para a demissão. As informações eram para todos os candidatos. Não influenciavam em prol de ninguém", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.