Regis Duvignau/Reuters
Regis Duvignau/Reuters

Pressionado pelo Brasil, Casino tem queda de 10,7% nas vendas

Varejista francês diz que precisará cortar custos para se adaptar às novas condições econômicas brasileiras 

Agência Estado

15 de outubro de 2015 | 09h54

PARIS - O conglomerado varejista francês Casino Guichard-Perrachon, controlador do Grupo Pão de Açúcar no Brasil, divulgou nesta quinta-feira que suas vendas sofreram uma queda anual de 10,7% no terceiro trimestre deste ano, a € 10,7 bilhões. Apesar do recuo, o número veio ligeiramente acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de € 10,6 bilhões.

Segundo o Casino, seu resultado foi prejudicado pelo forte declínio nas vendas do setor não alimentício na América Latina, em especial no Brasil.

A América Latina é responsável por cerca de 40% das vendas do Casino e, com a economia brasileira em recessão, as vendas no setor não alimentício do grupo na região recuaram 44% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado. O Casino informou ainda que a forte desvalorização do real também afeta suas vendas, quando o resultado é convertido para euros.

O conglomerado disse que continua comprometido com o Brasil, mas precisará se "adaptar" às condições econômicas, particularmente no setor não alimentício. "A atividade nessa parte do nosso negócio teve queda de 20% ou 25%, portanto precisamos reduzir custos", afirmou o diretor-financeiro da companhia, Antoine Giscard d'Estaing, em teleconferência com jornalistas. 

A presença do Casino em mercados emergentes, onde a varejista realiza a maioria de suas vendas, impulsionou suas vendas durante anos, mas a desaceleração em mercados como o Brasil e o atentado em agosto na Tailândia prejudicaram seu desempenho. 

A atividade na França, por outro lado, reagiu após vários anos fracos, com alta de 1,7% nas vendas, para € 4,8 bilhões. Na Ásia, por sua vez, o Casino viu suas vendas recuarem 2,9% no terceiro trimestre. Bangcoc e outras áreas turísticas tiveram menos vendas, após o atentado na capital tailandesa.  

Os analistas da Bryan Garnier disseram que é possível ver a companhia com o copo "meio cheio", por seus resultados na França, ou "meio vazio", por causa de suas operações internacionais. 

(Com informações da Dow Jones Newswires)

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