Previsão para PIB de 2010 sobe de 5,5% para 6,5%, diz Ipea

Para o IPCA deste ano, as projeções avançaram de 5,2% para 5,5%

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 11h07

O Sensor Econômico, apurado pelo Ipea junto a entidades do setor produtivo, apontou que a mediana das previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) relativo a 2010 subiu de 5,5% na pesquisa feita entre março e abril para 6,5% no levantamento realizado de maio a junho. Para o IPCA deste ano, as projeções avançaram de 5,2% para 5,5%. Em relação à taxa Selic, as estimativas levantadas junto aos entrevistados apontaram para uma elevação de 11% para 11,5% ao ano, no final de dezembro de 2010.

As instituições ouvidas pelo Ipea também destacaram um aumento das projeções de alta dos investimentos para este ano, pois subiram de 13% no levamento feito entre março e abril para 15% na pesquisa realizada de maio a junho. Em função disso, houve também um incremento da estimativa da geração de postos de trabalho formais apurados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de 1,5 milhão para 1,55 milhão neste ano.

Para a projeção da taxa de câmbio relativa ao final de 2010, a estimativa das instituições entrevistadas pelo Ipea é de chegar a marca de R$ 1,82 - pouco abaixo da projeção anterior que era de R$ 1,83. As estimativas registradas pelo Sensor Ipea apontaram também um avanço das exportações em 2010 que subiram US$ 175 bilhões para US$ 180 bilhões. Por outro lado, as previsões para as importações ficaram estáveis em US$ 160 bilhões.

Investimentos

O diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, João Sicsú, afirmou que os investimentos da União, incluindo os realizados pelas estatais federais, devem atingir neste ano entre 3% e 3,5% do PIB. Segundo ele, a aplicação desses recursos deve se aproximar de 5% do PIB se forem incluídos os dispêndios realizados por Estados e municípios.

"Sem dúvida esse montante de investimentos públicos deve atingir o maior patamar dos últimos 15 anos. Eles estão relacionados exatamente com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também com empreendimentos da Petrobras", afirmou.

Na avaliação de Sicsú, os investimentos oficiais estão avançando de forma positiva pois, no ano passado, foram pouco inferiores a 2% do PIB. Segundo ele, o avanço da aplicação de recursos em projetos de longo prazo, sobretudo em infraestrutura, está vinculado diretamente à favorável conjuntura econômica brasileira, que apresenta seu "melhor desempenho em 25 anos". "Temos um crescimento vigoroso, com a inflação sob controle. Aliás, não há nenhum cenário de alta da inflação preocupante para os próximos seis meses. As contas públicas estão indo muito bem, há uma queda da dívida pública em relação ao PIB, não temos mais dívida dolarizada e as reservas internacionais estão superiores a US$ 250 bilhões", comentou.

O diretor do Ipea ainda lembrou que o Brasil é credor externo líquido e está na condição inédita de não dever mais para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao contrário, o País hoje empresta recursos ao fundo. "Esse momento muito positivo que o Brasil vive está elevando os investimentos de forma expressiva. Desde 2007, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) está superando o avanço do PIB em duas ou três vezes. É possível que no fim deste ano os investimentos cresçam mais perto de três vezes a alta do PIB em 2010", disse.

Segundo a pesquisa Sensor Econômico, realizada entre maio e junho, entidades produtivas que representam o setor empresarial e sindical passaram a prever que a FBCF deve crescer 15% neste ano, uma alta em relação à projeção anterior de 13% de incremento para 2010, apontada na pesquisa anterior, realizada entre março e abril. Questionado se o patamar de investimentos públicos no País não é pequeno em relação à necessidade de ampliação do nível de crescimento do PIB, Sicsú admitiu que há alguns fatores, como o atual patamar de juros, que não permitem que os investimentos avancem com maior rapidez. "Mas isso é um processo. Investimento atrai investimento e não se sai do patamar de 3% do PIB para 18% do PIB do dia para a noite", ressaltou.

Sem querer fazer um comentário direto em relação à condução da política monetária pelo Banco Central, o diretor do Ipea reconheceu que a taxa nominal de juros, atualmente em 10,75%, coíbe a expansão do ritmo da FBCF, sobretudo porque reduz a atratividade dos investimentos produtivos de longo prazo, dado que há uma rentabilidade expressiva para quem aplica em títulos de renda fixa. A taxa real de juros avaliada pelo critério ex-ante está muito próxima de 6% ao ano, enquanto é negativa nos Estados Unidos, Japão, zona do euro e Reino Unido. (Ricardo Leopoldo)

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