Primeiro-ministro do Japão deve renunciar até agosto

Segundo parlamentar, após semanas de divergências, partido liderado por Naoto Kan e oposição chegaram a um acordo para o momento da renúncia

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

21 de junho de 2011 | 14h03

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, deve renunciar até o fim de agosto, após garantir a aprovação no Parlamento de um segundo orçamento extra e de uma lei necessária para o governo emitir títulos para cobrir suas dívidas no ano fiscal de 2011, informou uma importante fonte do partido governista nesta terça-feira, 21. A informação foi divulgada pela agência de notícias Kyodo, em sua edição da manhã de quarta-feira (hora local).

O Partido Democrático do Japão (PDJ), liderado por Kan, e importantes siglas da oposição finalmente chegaram a um acordo para o momento da renúncia, após semanas de divergências, afirmou à Kyodo um graduado parlamentar, pedindo anonimato.

O PDJ, o Partido Liberal Democrático (PLD) e o Partido Novo Komeito concordaram com um terceiro orçamento extra para o ano fiscal que começa em abril. Esse novo orçamento será muito maior que os anteriores, a fim de financiar a reconstrução de áreas duramente atingidas por um terremoto e um tsunami em 11 de março, porém não será administrado por Kan, disseram deputados.

Atualmente, o governo liderado pelo PDJ planeja submeter um terceiro orçamento complementar à Câmara dos Deputados, entre o meio de agosto e o início de setembro. Mesmo um dia antes do fim do atual período de sessões parlamentares, as negociações políticas para o momento da renúncia de Kan continuaram até o último minuto, segundo a Kyodo.

O secretário-geral do PDJ, Katsuya Okada, disse a políticos dos dois partidos da oposição que sua sigla quer ampliar o atual período de sessões por cerca de 70 dias, segundo os parlamentares. O secretário-geral do PLD, Nobuteru Ishihara, disse a Okada que o partido irá estudar se aceita a proposta, disseram as fontes.

Criticado por sua suposta falta de liderança, Kan faz uma última tentativa de permanecer no poder o máximo possível, apesar da forte pressão pela sua renúncia tanto de aliados quanto de oposicionistas.

Kan havia sido persuadido por vários graduados parlamentares do PDJ a renunciar em julho, em troca de apoio da oposição para a passagem de um segundo orçamento extra e de uma lei para o governo assegurar em torno de 40% da renda planejada para o orçamento anual, segundo a Kyodo. Porém teve força para buscar aprovar novos projetos desde então.

Em um encontro no final da terça-feira com Okada, Kan finalmente ofereceu um compromisso, dizendo que renunciará se as deliberações sobre a lei de energia forem concluídas na atual sessão do Parlamento, segundo os deputados. Okada já havia dito anteriormente a dois congressistas da oposição que o PDJ pretende ampliar o período de sessões no Legislativo em por volta de 50 dias. O PLD pede que o PDJ esclareça quando Kan será substituído e diz que a aprovação da lei de energia não será usada como moeda de troca.

O chefe do Novo Komeito, Natsuo Yamaguchi, pediu um debate cuidadoso da lei de energia. No início de junho, Kan superou uma moção de censura após prometer que entregará o poder à geração mais nova assim que houver progressos no esforço de reconstrução das zonas afetadas por um terremoto e um tsunami em 11 de março, porém sem definir uma data. As informações são da Dow Jones.

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