Primeiros embarques de manga para o Japão acontecerão em novembro

Brasília, 18 - Em menos de um mês devem ser exportados os primeiros lotes de manga brasileira para o Japão. Depois de uma negociação que durou 32 anos, o primeiro lote de manga brasileira da variedade "Tommy Atkins" deve deixar o Brasil com destino a Tóquio entre os dias 10 e 13 de novembro. Os exportadores querem aproveitar a edição deste ano da Feira Nacional de Agricultura Irrigada (Fenagri) para oficializar o embarque inicial do lote de 100 toneladas da fruta para o Japão. A feira acontece em Petrolina, Pernambuco. No começo de outubro, o governo japonês comunicou oficialmente a abertura de seu mercado para a manga fresca do Brasil, num volume inicial de 5.200 toneladas por ano. "Os exportadores não esperavam que a autorização saísse neste ano. A abertura pegou todo mundo de surpresa", comentou o assessor para Assuntos Internacionais da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gilson Cosensa. "Os produtores não induziram as flores para que houvesse frutas disponíveis para embarque nesse período, por isso a exportação inicial deve ser rateada entre várias empresas", acrescentou. Nessa época do ano, os exportadores brasileiros finalizam os embarques para o mercado americano. Em 2003, Estados Unidos e União Européia importaram juntos 126 mil toneladas de manga do Brasil, vendas que renderam US$ 71 milhões ao País. O mercado japonês é considerado muito exigente, mas as frutas são vendidas por valores expressivos: US$ 2 mil por tonelada. Anualmente, as vendas devem render cerca de US$ 10,4 milhões. Cosenza contou que 11 empresas exportadoras já manifestaram interesse em vender manga para o Japão. A maioria é da região de Petrolina, mas exportadores de Juazeiro, na Bahia, São Paulo e Rio Grande do Norte também têm interesse nesse mercado. Para ele, o preço de venda compensará os gastos dos exportadores brasileiros, que terão que custear o trabalho de inspetor japonês que acompanhará o trabalho sanitário e o embarque das frutas. O governo japonês determinou que, antes do embarque, as mangas passarão por tratamento hidrotérmico (lavagem com água quente) para evitar a presença de larvas e ovos da mosca do mediterrâneo, além do tratamento com hipoclorito para matar bactérias. Cosensa calculou que os gastos com o inspetor - incluindo desde os preparativos no Japão, passagens e diárias no Brasil - serão de US$ 19 mil por um período de quatro meses. "Mesmo assim, compensa. E muito", resumiu.

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