Principal credora dos EUA, China faz novo alerta sobre risco de calote

Chineses pedem que americanos defendam interesse dos investidores. Preocupação cresce enquanto os legisladores dos EUA discutem plano para reduzir os gastos do país e elevar o teto da dívida americana  

Agência Estado,

20 de julho de 2011 | 10h11

Mais uma vez a China alertou os EUA a protegerem os interesses dos investidores. Agora foi a vez da Administração Estatal do Câmbio Externo (Safe, na sigla em inglês) da China fazer a recomendação, ecoando o pedido do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei, feito na semana passada. Na ocasião, Lei alertou que Washington deveria adotar "uma apolítica responsável e medidas para garantir o interesse dos investidores".

A Safe destacou as opiniões das agências de classificação de risco, como a Standard & Poor's e a Moody's, que na semana passada colocaram a nota de risco (rating) dos EUA em observação para possível rebaixamento - ou seja, os Estados Unidos podem perder o status de confiança máxima. Caso isso seja feito, os custos dos empréstimos tomados pelos EUA aumentarão fortemente, piorando a já difícil posição fiscal do país.

Mais que isso, um corte no rating dos EUA provocaria uma onda de choque nos mercados financeiros do mundo, que há muito tempo consideram a dívida norte-americana entre os investimentos mais seguros. A China é o maior detentor de dívida dos EUA no mundo, com um montante de US$ 1,16 trilhão em maio.

Pequim tem alertado que o grande estímulo à economia implementado pelo governo norte-americano depois da crise global levaria a um forte crescimento na dívida que acabaria com o valor do dólar e dos títulos da dívida americana.

Prazo. A preocupação dos chineses cresce enquanto os legisladores norte-americanos discutem um plano para reduzir os gastos do país e elevar o teto da dívida americana - hoje em US$ 14,3 trilhões. O problema é que o endividamento dos americanos chegou ao seu patamar máximo e novas dívidas vencem no dia 2 de agosto e não há dinheiro para cumprir os pagamentos.

Na noite de terça-feira, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, por 234 votos a 190, um plano que para elevar o teto da dívida e evitar o calote. Esse não o plano defendido pelo presidente americano, Barack Obama, e ainda corre o risco de ser barrado pelo Senado, onde ainda será votado, ou ser vetado por Obama.

O plano, formulado pelo partido Republicano, permitirá a elevação do teto da dívida dos EUA em US$ 2,4 trilhões, caso o Congresso concorde com um corte de gastos de US$ 111 bilhões no próximo ano; limite os gastos nos próximos anos a uma determinada porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) e aprove uma emenda à Constituição referente ao orçamento

Credores. Dados do Tesouro americano mostram que o Brasil foi o país que registrou o segundo maior aumento em aplicações em títulos do governo dos Estados Unidos no último ano, somente atrás da China.

Em maio, último dado disponível, o Brasil tinha US$ 211,4 bilhões (cerca de R$ 333 bilhões) aplicados em títulos do governo americano, valor que representa crescimento de 30,89% em um ano e mantém o Brasil como quinto maior credor externo dos Estados Unidos - atrás de China, Japão, Grã-Bretanha e um grupo de países exportadores de petróleo.

Entre os 10 principais credores, o Brasil foi o que registrou o segundo maior crescimento entre maio de 2010 e maio de 2011. No mesmo período, a China aumentou em 33,6% sua compra de papéis do governo americano, chegando a US$ 1,16 trilhão, mais de um terço de suas reservas internacionais.

No caso do Brasil, o valor aplicado nesses títulos representa quase dois terços das reservas internacionais, de US$ 340 bilhões.

O aumento das aplicações brasileiras em títulos do Tesouro americano vem acompanhando o crescimento das reservas do país. Em dezembro de 2004, com as reservas brasileiras em US$ 50 bilhões, o país tinha um total de US$ 15,2 bilhões em títulos da dívida americana. Em dezembro de 2007, quando as reservas já chegavam a US$ 178 bilhões, as aplicações em títulos estavam em US$ 129,9 bilhões.

 

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