Principal desafio do Brasil é combater a inflação, diz OCDE

Economistas da organização defendem que País deveria se concentrar na consolidação de sua política fiscal

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

28 de outubro de 2011 | 13h54

Antes de pensar em ajudar a Europa a resgatar a economia da zona do euro, o Brasil deveria se concentrar na consolidação de sua política fiscal. A recomendação foi feita hoje pela economista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) Annabele Mourougane, co-autora do mais novo relatório da organização sobre o Brasil. Ela apresentou as conclusões e as principais recomendações do trabalho num fórum organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.

Ao lado do colega Jens Arnold, economista da OCDE que também assina o relatório, ela destacou como um ponto positivo no cenário econômico brasileiro a prioridade que a questão fiscal tem recebido. No entanto, o relatório aponta que a continuidade do saneamento das finanças públicas exercerá papel primordial no enfrentamento do que os especialistas da OCDE identificaram como o principal desafio macroeconômico do Brasil: dominar a inflação dentro de um contexto de abundante liquidez mundial.

Perguntada se o Brasil deveria ou tem condições de atender ao apelo da União Europeia para ajudar a ampliar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), cujas lideranças cogitam desembarcar em Brasília, Annabele disse que o melhor que o País deve fazer é priorizar o seu próprio equilíbrio fiscal para enfrentar o cenário internacional adverso e os obstáculos que tem atrapalhado a elevação dos investimentos públicos e do crescimento potencial da economia.

"Está claro que o Brasil está hoje numa situação fiscal bem melhor do que a de muitos países na Europa, mas achamos que a consolidação fiscal é ainda uma questão muito importante para o País", respondeu a economista da OCDE, mencionando como consequência do aprofundamento dessa política um cenário mais favorável para a redução das taxas de juros, as mais altas do mundo. "Não recomendaríamos ao Brasil gastar muito dinheiro agora, mas acho que isso (a ajuda financeira à Europa) é mais uma questão política do que econômica."

Entre as recomendações feitas pela OCDE à política fiscal, o relatório aponta a adoção, a médio prazo, de uma meta plurianual para o orçamento global e de um teto para o crescimento das despesas. Para os economistas da OCDE, os cortes de gastos anunciados pela equipe econômica no início do ano (preservando os investimentos em infraestrutura do PAC e os programas sociais de transferência de renda)e a fixação de metas de superávit primário para os próximos três anos na lei orçamentária compatíveis com a redução da dívida pública foram medidas acertadas tomadas pelo governo brasileiro.

No entanto, o trabalho da OCDE aponta a necessidade de maior equilíbrio nos gastos com Previdência e subsídios a financiamentos públicos, que podem estar inibindo o aumento da poupança doméstica e a participação privada no crédito de longo prazo.

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