Processo de retomada da economia mundial em 2010 ainda não está claro, diz ata do Copom

BC afirma que 'maiores tensões advêm dos riscos relativos à deterioração fiscal, em especial na Europa'

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 10h26

 O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que o conjunto de indicadores econômicos mundiais divulgados desde o encontro de janeiro do colegiado "é menos claro quanto à sustentação de um firme processo de retomada do crescimento econômico em 2010". A avaliação foi feita no trecho 59 do documento. "Apesar de resultados positivos para o PIB do quarto trimestre nos EUA, Japão, Área do Euro e Reino Unido, os números japoneses foram revisados em baixa, e os da Área do Euro apresentaram forte recuo com relação ao terceiro trimestre", cita o texto.

 

No Japão, os diretores do BC afirmam que há recuperação no consumo de bens duráveis, especialmente automóveis, em função de incentivos fiscais. Na Europa, o BC observa deterioração nas expectativas dos consumidores. Nos outros países, o Copom destaca a contração do índice dos gerentes de compra na China e a diminuição do número de horas trabalhadas e da remuneração semanal nos EUA.

 

Apesar dessa avaliação de que a recuperação da atividade passa por oscilações quanto ao ritmo, o trecho 12 do documento avalia que "os pontos mínimos da inflação nas economias maduras e em importantes economias emergentes foram ultrapassados". Diz ainda que a avaliação atualmente dominante do mercado internacional "aponta para recuperação em 2010 e aceleração em 2011, em processo no qual o G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) retomaria certo dinamismo, mas que continuaria sendo liderado pelas economias emergentes".

 

"Persiste a incerteza quanto à sustentabilidade da expansão do consumo nas economias maduras, em cenário de retirada dos estímulos de política econômica e perspectivas modestas para a expansão do crédito, mas a recuperação parece estar se consolidando", cita o texto. "Por outro lado, em diversas economias emergentes, a atividade econômica parece ter entrado em rota consistente de expansão, apresentando, em certos casos, evidências de aquecimento em mercados de bens, serviços, fatores de produção e ativos", completa o texto.

 

"Nesse contexto, após um período de flexibilização agressiva, a política monetária, em diversos países, entrou em fase de estabilidade, ao passo que a tendência naquelas economias que foram menos impactadas pela crise internacional e se recuperam mais rápida e intensamente é de adoção de posturas de política monetária mais restritivas", completa o documento.

 

Deterioração fiscal

 

A ata afirma ainda que desde a reunião de janeiro do Comitê "as maiores tensões na economia internacional advêm dos riscos relativos à deterioração fiscal, em especial na Europa". O trecho 62 do documento observa que as maiores dúvidas quanto à capacidade de gestão da dívida pública de curto prazo "têm aumentado, em especial na Grécia e em Portugal, mas também na Irlanda, Itália e Espanha".

 

O texto observa, porém, que essa volatilidade gerada pela questão fiscal foi amenizada nas últimas semanas porque houve "certa redução das preocupações sobre a deterioração fiscal em algumas economias maduras, notadamente na Europa".

 

Com menor turbulência, o Copom observa que "houve alguma recuperação na demanda por ativos de risco, como evidenciado pelo comportamento dos mercados financeiros internacionais". Porém, houve depreciação do euro como consequência das preocupações da saúde fiscal das economias europeias.

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