Produção da Petrobrás não cresce e fica abaixo da meta pelo 2º ano seguido

Após fracassar em 2010 e adiar o objetivo para este ano, a estatal enfrenta dificuldades com a demora na entrega de equipamentos utilizados nas atividades de exploração e produção

André Magnabosco, de O Estado de S. Paulo,

29 de novembro de 2011 | 23h23

A Petrobrás não deverá atingir pelo segundo ano consecutivo a meta interna de produzir 2,1 milhões de barris de petróleo por dia em território nacional. Após fracassar em 2010 e adiar o objetivo para este ano, a estatal enfrenta dificuldades com a demora na entrega de equipamentos utilizados nas atividades de exploração e produção.

A empresa deixará de produzir neste ano o equivalente a pelo menos 2,5% da oferta nacional de petróleo. Apesar de ter investido mais de R$ 50 bilhões entre janeiro e setembro, a Petrobrás tem quase o mesmo volume de produção de 2010. Até o piso da meta da Petrobrás, de 2,050 milhões de barris diários, não deverá ser alcançado, projeção que ganhou força após a divulgação dos dados de outubro.

A maior dificuldade é a demora na entrega de equipamentos de exploração e produção, principalmente sondas. Segundo o diretor financeiro, Almir Barbassa, a estatal deverá receber 15 unidades de perfuração de águas profundas em 2012, o que ampliaria o número de sondas para 38. "Isso permitirá não só um ramp up (aumento de produção) mais rápido das plataformas como um crescimento mais acelerado da produção do pré-sal", afirmou, em apresentação recente a analistas e investidores.

Com a chegada de novas sondas, a Petrobrás planeja acelerar o ritmo das atividades e eliminar o gargalo nos investimentos. Em 2011, segundo Barbassa, a estatal não conseguirá atingir a meta de investir R$ 84,7 bilhões. "Esperamos que fique mais ou menos no mesmo nível do ano passado", ressaltou, comparando com os R$ 76,4 bilhões de 2010.

Outra barreira para que a produção não volte a ter crescimento discreto em 2012 são as paradas não programadas na produção. Elas ocorrem, muitas vezes, por inspeções inesperadas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para contornar a situação, a Petrobrás obteve um acordo que deverá garantir maior previsibilidade às operações.

A possibilidade cada vez maior de que a Petrobrás não consiga atingir nem mesmo o piso da meta é vista com conformismo por analistas. "Não é novidade que a companhia divulgue uma meta e não a alcance", diz o analista da SLW Corretora, Erick Scott. "A situação passou a ser recorrente", diz o analista do Banco Geração Futuro, Lucas Brendler.

O desempenho abaixo do esperado nos últimos anos também sustenta a projeção pessimista do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, para quem a meta da Petrobrás, de produzir quase 5 milhões de barris por dia em 2020, não será alcançada. "Do jeito que está, acredito que a companhia produzirá entre 30% e 40% a menos do que essa meta."

O potencial de crescimento de produção deverá ser mais bem dimensionado no ano que vem, quando cinco novos sistemas entrarão em operação. Juntos, devem adicionar 414 mil barris diários de petróleo à capacidade de produção da estatal, o que equivale a cerca de um quinto da atual produção brasileira de petróleo.

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