Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Produção da Samarco atinge 32% do volume pré-desastre de Mariana

Mineradora retomou as atividades em dezembro de 2020, cinco anos após o rompimento da barragem de Fundão; empresa informa ter pago até agora R$ 17,4 bilhões em ações de reparação e compensação

Carlos Eduardo Cherem ESPECIAL PARA O ESTADÃO, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 12h10
Atualizado 07 de janeiro de 2022 | 18h59

Correções: 07/01/2022 | 18h59

Em 12 meses, a mineradora Samarco produziu 7,87 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro, o que representa 32% da sua produção de 2015, de 24,5 milhões de toneladas do produto, quando foi obrigada a encerrar suas atividades por causa do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Em relação à capacidade produtiva da mineradora, de 30 milhões de toneladas por ano, a mesma do período pré-desastre, a produção de 2021 representa aproximadamente 26%.

A mineradora retomou a produção em dezembro de 2020, após cinco anos de paralisação, depois de receber as licenças ambientais dos órgãos de meio ambiente. “Com a obtenção de todas as licenças ambientais necessárias, a incorporação de novas tecnologias para disposição final de rejeitos, utilizando-se a cava confinada e o sistema de filtragem para empilhamento a seco, a operação é feita sem a utilização de barragens, apoiada em novas tecnologias, com a adoção de práticas mais seguras e sustentáveis”, informa a companhia.

Na tragédia que se seguiu ao rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, 39 milhões de metros cúbicos de rejeito escoaram ao longo da bacia do Rio Doce em Minas Gerais até a foz no Espírito Santo. Centenas de municípios e comunidades foram alcançadas pela lama e 19 pessoas morreram. Não há um número certo de quantas pessoas foram atingidas.

A fundação Renova, criada em acordo entre a Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, administra as medidas de reparação e o processo indenizatório. De acordo com a fundação, até novembro de 2021, foram desembolsados R$ 17,4 bilhões em ações de reparação e compensação. Receberam indenizações e auxílios financeiros 352 mil pessoas de Minas Gerais e do Espírito Santo, num montante que alcançou R$ 7,02 bilhões no período.

Além das ações na Justiça brasileira, desde 2018, 200 mil moradores de Minas Gerais e do Espírito Santo travam uma batalha contra a BHP e a Samarco na Justiça inglesa. Há seis meses, eles conseguiram reabrir o processo e a permissão para recorrer da decisão negativa de 2020. São pessoas de diversos municípios localizados ao longo da Bacia do Rio Doce, que ainda vivem os efeitos da tragédia no dia a dia. Em abril de 2022, a corte inglesa decide se dará curso ao processo.

Mercado externo

Criada em 1977, joint venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da mineradora, a Samarco mantém plantas industriais em Mariana (MG) e Ouro Preto (MG), e em Anchieta (ES). A mineração e o beneficiamento das pelotas e finos de minério de ferro são feitos nas unidades mineiras. A produção é escoada, por meio de um mineroduto, até o complexo de Anchieta (ES), onde funcionam a pelotização e o complexo de Ubu, porto que serve às operações de comércio exterior da mineradora.

“A Samarco atende aos mercados interno e externo, mas a maior parte da produção é exportada. Seus produtos são direcionados aos principais produtores de aço nas Américas, Europa, Oriente Médio, Norte da África e Ásia. Foram realizados 73 embarques em 2021”, informa a companhia. 

Atualmente, a mineradora conta com 1.450 empregados em suas unidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Correções
07/01/2022 | 18h59

A produção da Samarco em 12 meses equivale a 32% do volume produzido em 2015, antes do desastre de Mariana, e não a 73,5% como informado numa versão anterior do texto. A produção de 2015 foi de 24,5 milhões de toneladas, e não de 10,7 milhões de toneladas. Os dados foram corrigidos.

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