Produção de cana-de-açúcar deve crescer 7,5% no Brasil em 2004/05

São Paulo, 24 - A produção de cana-de-açúcar no Brasil durante a safra 2004/05 deverá crescer 7,5% para 386 milhões de toneladas, em comparação com as 359 milhões de t colhidas em 2003/04. A estimativa é da consultoria JOB Economia e Planejamento. A empresa aumentou a projeção para a safra nordestina de cana, que começa a ser colhida neste mês, de 60 milhões para 66 milhões de toneladas, por conta do bom volume de chuvas no período de entressafra. A estimativa para o Centro-Sul do país foi mantida em 320 milhões de toneladas, aumento de 7% na safra. A JOB ressalta que as chuvas de verão, entre novembro e dezembro, vão forçar os produtores a deixar 10 milhões de toneladas de cana nas lavouras, que podem ser colhidas em abril. "É seguro assumir que vai chover a partir de dezembro. Será preocupante se isso não acontecer", disse o presidente da JOB, Julio Maria Borges. A produtividade industrial no Centro-Sul deve cair 2,7% na safra 2004/05 por conta das chuvas nos três primeiros meses de colheita. Em contraste, o tempo seco no Norte/Nordeste durante o período de esmagamento da cana fará crescer a produtividade industrial em 2,3%. No geral, a maior parte da cana será usada para produzir açúcar: 62%, ante 60% na safra passada. A produção brasileira de açúcar 2004/05 é estimada pela JOB em 27,4 milhões de toneladas, 10% mais que as 24,85 milhões de t apuradas em 2003/04. O Centro-Sul ficará com 22,4 milhões de t (aumento de 9,8% ante 20,4 milhões de t na safra anterior) e o Norte/Nordeste com 5 milhões de t (aumento de 12,4%). O país deve manter o mesmo volume de açúcar estocado neste ano e, assim, as exportações vão crescer 23,2% para 18 milhões de toneladas, ante 14,6 milhões de t no ciclo passado. A estimativa de exportação para 2004/05 foi elevada em 600 mil toneladas. "Estes embarques extras não vão mudar o cenário de oferta e demanda no mercado mundial", disse Borges. A produção de álcool deverá crescer 1,4% para 14,83 bilhões de litros em 2004/05, ante 14,62 bilhões em 2003/04. A JOB observa que o crescimento se dará exclusivamente no Norte/Nordeste, onde a oferta vai crescer de 1,73 bilhão para 1,93 bilhão de litros. Já o consumo de álcool deverá crescer 6% para 13,25 bilhões de litros. Anteriormente a JOB estimativa consumo de 12,65 bilhões de litros. Tal incremento deve-se ao aumento do preço da gasolina, à popularidade dos carros flex-fuel (que consomem ambos os combustíveis). Já as exportações de álcool deverão totalizar 1,95 bilhão de litros, ante 1,07 bilhão de litros exportados na safra passada. Os estoques de álcool no Centro-Sul ao final da safra deverão ser de 600 milhões de litros, suficientes para 20 dias de consumo. Mas as usinas terão 10 milhões de toneladas de cana excedentes para processar em abril, se for necessário suprir um aumento de demanda, diz a consultoria. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2004 | 16h09

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