Produção de soja transgênica superou 50% da safra mundial 2003/04

São Paulo, 8 - A produção mundial de soja transgênica superou a de soja convencional e gerou US$ 23,5 bilhões na safra 2003/04. A avaliação é do diretor do Centro Internacional de Regulamentação Agrícola e Alimentícia da Universidade de Minnesota, C. Ford Runge. Economista especializado em regulamentação agrícola e alimentícia, Runge divulgou hoje, por teleconferência, os resultados do trabalho "A Difusão Global da Biotecnologia Vegetal: Adoção e Pesquisa Internacional em 2004". Utilizando-se de dados das Nações Unidas, USDA e do Conselho para Informações em Biotecnologia dos EUA, Runge contabilizou em US$ 44 bilhões o valor de mercado da produção agrícola transgênica em 2003/04. Segundo ele, quatro culturas contabilizam quase 100% da produção transgênica. Em primeiro lugar vem a soja, com US$ 23,5 bilhões. Mais de 50% da soja produzida na safra passada foi transgênica. No caso do milho, mais de 30% da produção mundial foi geneticamente modificada, com valor de US$ 11,2 bilhões; no caso do algodão, a produção, com valor de US$ 7,8 bilhões, superou 15% do montante de 2003/04; a canola transgênica também superou os 15%, gerando valor de US$ 1,4 bilhão. Runge afirmou que 98% da receita com a produção transgênica em 2003/04 foi gerada em cinco países. Os EUA, epicentro da pesquisa, produção e consumo, liderou o ranking, com US$ 27,5 bilhões. O país produz milho, soja, algodão e canola. A Argentina, que produz milho e soja, ficou em segundo lugar, com US$ 8,9 bilhões. Em seguida vieram a China, produtora de algodão transgênico, com US$ 3,9 bilhões; Canadá, produtor de canola, milho e soja, com US$ 2 bilhões; e o Brasil, produtor de soja, com US$ 1,6 bilhão. Segundo Runge, a China tem condições de logo ultrapassar a Argentina e tomar a segunda colocação. O país está investindo centenas de milhões de dólares em pesquisas com biotecnologia, e tem condições imediatas de adotar a transgenia para o milho e a soja. "Se metade da produção de milho e de soja da China fosse geneticamente modificada, isso geraria um valor de US$ 2,5 bilhões. Em 2003/04, o país produziu 16,2 milhões de toneladas de soja e 114 milhões de toneladas de milho. O economista acredita, entretanto, que Argentina e Brasil devem ter também um crescimento rápido na adoção da biotecnologia. Para tanto, cita os esforços em pesquisa e desenvolvimento dos dois países. O economista C. Ford Runge projetou um grande aumento na adoção da biotecnologia para vegetais nos próximos 5 a 10 anos. "O que se viu nos últimos 10 anos é apenas um prólogo do que a biotecnologia vai representar no futuro", afirmou. Segundo Runge, a utilização comercial de produtos transgênicos é apenas a ponta do iceberg de um processo que tem três fases anteriores: testes laboratoriais e em estufa; pesquisas de campo; e registro sanitário e comercial. Sob este ponto de vista, há pesquisas com 57 culturas ocorrendo no mundo, e 63 países estão engajados no processo. Destes, é verdade, apenas 18 já cultivam plantas transgênicas. O pesquisador afirma que se tem dado atenção demais ao que ocorre na União Européia, enquanto o crescimento da biotecnologia prossegue em outras partes do mundo. "Mais da metade dos 63 países que realizam pesquisas com OGM são países em desenvolvimento", lembra. Runge observa que mesmo a UE tem condições de rapidamente se tornar um centro de geração de conhecimento e produção em transgênicos assim que for criado um marco regulatório aceito por todos os países-membros. "É preciso lembrar que há grande capacidade instalada na Europa", lembra. "A Comissão Européia já registrou 1.849 testes de campo de 1991 em diante", afirma. Runge projeta que o futuro trará três grupos de países no que se refere ao desenvolvimento e produção de agricultura transgênica. O grupo de líderes, encabeçado pelos EUA, incluirá também Argentina, Brasil, China e Canadá. UE, Austrália, México e África do Sul também estariam nesse grupo, embora menos adiantados. O grupo intermediário, de "emergentes em biotecnologia", com capacidade e recursos limitados, incluirá Egito, Índia e Indonésia; o terceiro grupo, menos adiantado, terá o restante dos países.

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