Washington Alves/Reuters - 20/5/2020
Washington Alves/Reuters - 20/5/2020

Produção de veículos chega a 2,25 milhões em 2021, 3º pior resultado desde 2004

Apesar do resultado fraco no ano, houve crescimento na produção em dezembro; para 2022, entidade do setor espera aumento de 9,4% na produção, para 2,46 milhões de veículos

Eduardo Laguna e Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 13h49

O ano da maior crise de oferta na história da indústria automotiva terminou com o terceiro pior resultado de produção desde 2004. Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, 2,25 milhões de unidades foram montadas em 2021, o que representa um crescimento de 11,6%, mas sobre uma base de comparação fraca, já que no ano anterior a chegada da pandemia parou completamente a produção no mês de abril. 

Divulgado nesta sexta-feira, 7, pela Anfavea, a entidade que representa a indústria de veículos, o número inclui 210,9 mil unidades produzidas em dezembro, mês em que as montadoras correram para finalizar automóveis cuja produção não seria mais permitida neste ano por conta do aperto nos limites de poluição veicular aceitos no País. O Ibama, no entanto, acabou dando mais três meses para a indústria terminar de montar esses veículos, mas a autorização só foi conhecida no apagar das luzes de 2021. 

Assim, dezembro foi o melhor resultado do ano, ficando 0,8% acima da produção registrada no mesmo mês de 2020. Contra novembro, a alta foi de 2,5%.

Mesmo com o crescimento na reta final, o resultado da indústria automotiva em 2021 é um dos três mais baixos dos últimos 17 anos, superando neste período apenas 2020, por conta do choque da pandemia, e 2016, ano em que o setor chegou a seu ponto mais baixo na prolongada recessão econômica doméstica da época.

Comprometida por gargalos de logística - como falta de navios e contêineres -, inflação das matérias-primas e, principalmente, escassez de materiais, sobretudo os componentes eletrônicos, a produção, mesmo com o retorno dos consumidores, seguiu distante dos níveis de antes da crise sanitária, quando as montadoras, mesmo sem repetir seus melhores momentos, fabricavam 700 mil veículos a mais.

Houve, por outro lado, mais veículos destinados a exportações, que subiram 16% contra o ano anterior e alcançaram 376,4 mil unidades em 2021.

Previsão para 2022

Para 2022, a Anfavea prevê um crescimento de 9,4% na produção de automóveis leves e pesados. Segundo dados apresentados hoje, a entidade estima que 2,46 milhões de veículos serão produzidos neste ano, abaixo ainda do nível pré-pandemia. Em 2019, a produção era de 2,9 milhões. 

Do total de automóveis produzidos no ano que vem, 2,26 milhões seriam carros leves, uma alta de 9,5% ante o número de 2021. O presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, destaca que a projeção considera que o problema atual que afeta as cadeias de produção, uma escassez global de semicondutores, deve afetar o setor intensamente ao menos no primeiro semestre de 2022, e iniciará uma trajetória de melhora gradual ao longo desse e dos próximos anos. Além disso, Moraes vê problemas também do lado da demanda.

"É uma previsão de crescimento moderado, enfrentando restrições de oferta de insumos, principalmente no primeiro semestre, mas também algumas questões de demanda, com taxa de juros bastante alta e problemas no emprego", aponta.

Anfavea considera ainda um aumento de 8,5% nas vendas e de 3,6% nas exportações em 2022.

As projeções da associação consideram um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5% em 2022, um desempenho positivo do agronegócio puxando a venda de veículos pesados, inflação acima da meta, taxa Selic em 11% e câmbio na casa dos R$ 5,50.

Moraes listou como desafios de 2022 o fato de ser um ano eleitoral, equilíbrio fiscal, aumento de custos com câmbio, juros e carga tributária, fragilidade do mercado de trabalho, questões logísticas e de oferta de insumos e possível extensão da crise sanitária com o surgimento de novas variantes da covid-19.

Vendas fracas

Com falta de carros no mercado, as vendas de veículos subiram apenas 3% em 2021 na soma de todas as categorias. Impulsionada pelas encomendas do agronegócio, a venda de caminhões avançou 43,5%. Mas os emplacamentos de carros de passeio e utilitários leves, cujas fábricas tiveram que parar a produção com frequência pela insuficiência de chips no mundo, teve tímida alta de 1,1%, mesmo diante da fraca base comparativa de 2020. 

Embora tenha ficado atrás de qualquer resultado do mês nos cinco anos anteriores, dezembro de 2021 representou um desfecho positivo do mercado automotivo dentro de um ano marcado, conforme definição do próprio setor, pela maior crise de abastecimento da história da indústria automotiva.

Pela primeira vez nos doze meses de 2021, as vendas passaram dos 200 mil veículos - 207,1 mil unidades, precisamente -, batendo em 19,7% o total vendido em novembro. Na comparação com dezembro de 2020, houve queda de 15,1% nas vendas de automóveis, utilitários leves, caminhões e ônibus. O balanço foi divulgado hoje pela Anfavea, associação que representa as montadoras.

Destinada, principalmente, à Argentina, a exportação das montadoras fechou o ano com crescimento nas duas comparações, subindo 48,4% contra novembro e 8,3% frente a dezembro. No total, 41,6 mil veículos foram embarcados no mês passado.

Desemprego

Há sinais, porém, de que as dificuldades de produção começam a afetar o emprego no setor. O balanço da Anfavea mostra que as montadoras de veículos fecharam 1,5 mil vagas de trabalho em dezembro, empregando no fim do mês 101 mil pessoas, saldo que era até então positivo no ano. 

Como acontece há um ano no balanço, em razão do desligamento da John Deere da entidade, segue suspensa a divulgação dos resultados de fabricantes de tratores e máquinas de construção, também sócios da Anfavea. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.