Produção plena de Tupi só deve começar em 2014 , avalia especialista

Analista da consultoria Wood Mackenzie avalia que pico da produção de megacampo de petróleo vai acontecer em 2014

12 de novembro de 2007 | 20h06

O campo de Tupi, na Bacia de Santos, poderá estar em testes em 2011, mas que só deverá atingir a produção plena a partir de 2014. A opinião é do analista da consultoria Wood Mackenzie, Matthew Shaw. Ele acredita que a produção deva levar por volta de oito anos para atingir o pico e, entre 2020 e 2022, poderá atingir 1 milhão de barris por dia. Segundo ele, trata-se de uma descoberta muito "significante", de grande impacto para o setor petrolífero e que representa uma nova fronteira tecnológica para a indústria do setor como um todo.  - Ouça a entrevista de Matthew Shaw  "É uma descoberta de nível mundial em todos os aspectos. Uma descoberta gigantesca. Mesmo que seja de apenas 5 bilhões de barris, é de longe a maior descoberta em águas profundas e a maior descoberta desde 2002, no Cazaquistão", afirmou, de Edimburgo, na Escócia. O campo de Tupi equivale a três quartos do campo Kashagan, do Cazaquistão, com 12 bilhões de barris de petróleo recuperável, e que foi a maior descoberta dos últimos 30 anos.  Estrangeiros - Para Shaw, com a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, as companhias petrolíferas internacionais devem renovar seu interesse no Brasil, mesmo que algumas delas já tenham perdido "muito dinheiro" no País, conforme fez questão de ressaltar. Segundo ele, desde que o setor foi aberto no final dos anos 1990 até o momento, diversas companhias fizeram pesados investimentos para a exploração no Brasil e todas perderam dinheiro.  Shaw comentou que companhias como Shell e Chevron estão desenvolvendo campos e colocando-os em operação. De acordo com o analista, em julho a Devon Energy colocou um campo em exploração. "Esse é o começo do retorno para essas companhias, mas, tendo em vista a quantidade de dinheiro investido, vai demorar muitos anos para que as companhias internacionais recuperem todo o aporte.", ressaltou. Shaw disse ainda que a nova fronteira de exploração pré-sal tem gerado um grande interesse. "Existe um movimento semelhante ocorrendo nos EUA, com a exploração de novas fronteiras, em águas profundas no Golfo do México. Há novas fronteiras sendo exploradas e campos semelhantes estão sendo encontrados, não com o mesmo tamanho, mas com a mesma característica, pré-sal, em águas profundas", explicou.  Segundo ele, os EUA estão aprendendo com essas novas descobertas e a Petrobras recentemente descobriu novos campos pré-sal no Golfo do México. "Todas essas companhias - Devon, Exxon Mobil, Shell e muitas outras atuantes nos EUA - estão muito ansiosas para investir no Brasil", frisou. Shaw disse que no ano passado, na rodada 8, antes de ela ter sido cancelada, o maior lance apresentado foi de US$ 141 milhões da italiana Eni, para blocos localizados mais ou menos na mesma área de Tupi.  O analista da Wood Mackenzie disse também que embora esteja sempre aberta a possibilidade de a Petrobras comprar outras companhias de petróleo, não existe tal necessidade. "A Petrobras tem muitas reservas de petróleo e gás principalmente no Brasil, mas também na Nigéria, Golfo do México, portanto não tem grande necessidade de comprar reservas petrolíferas no mercado", avaliou.  Shaw acredita que, independemente de Tupi, as exportações de petróleo e derivados do Brasil tendem a crescer. "A produção brasileira de petróleo vai aumentar muito rapidamente nos próximos três a cinco anos e as exportações continuarão subindo. Tupi permitirá que o Brasil continue exportando e aumente suas vendas no longo prazo", opinou. Para o analista, é difícil estimar o impacto da descoberta nas exportações. "Os números são altamente dependentes das perspectivas futuras para o preço do petróleo. O cenário básico atual da Wood Mackenzie para o preço do petróleo é de US$ 50, mas muitos analistas projetam cotações mais elevadas.  Refino - O analista da consultoria Wood Mackenzie disse que há incerteza sobre a possibilidade de a Petrobras refinar o petróleo do campo de Tupi. "É realmente uma dúvida se o governo brasileiro vai querer exportar esse petróleo de alta qualidade, angariar as receitas com a exportação e continuar a refinar o petróleo pesado no Brasil ou se irá refinar o óleo de Tupi no Brasil e exportar o petróleo pesado", afirmou. Segundo o analista, há uma série de questões econômicas "complicadas" envolvidas, mas sem dúvida haverá mudanças nas refinarias brasileiras para lidar com a imensa quantidade de petróleo leve de Tupi.

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