Produtor de café vai analisar normas de conduta da EurepGap

São Paulo, 7 - As normas de boas condutas na produção de café da EurepGap, uma das certificadoras mais adotadas pela rede varejista da Europa, ficaram prontas na Alemanha no dia 1º deste mês e agora vão ser discutidas pelos cafeicultores do Brasil. Nesse sentido, um pioneiro grupo de trabalho acaba de ser formado no País para avaliar essas regras. Estima-se que as propostas brasileiras deverão ser apresentadas ao Conselho Técnico da EurepGap dentro de seis meses. O presidente do grupo de trabalho é Marcelo Holmo, diretor de Novas Tecnologias do Instituto Genesis, de Londrina (PR), única instituição no Brasil autorizada a discutir as regras da EurepGap para café. Segundo ele, as normas da EurepGap de boas práticas sociais, ambientais, humanas e econômicas restringem-se ao setor produtivo e a adesão é voluntária. Holmo acredita que "a adaptação das regras à realidade brasileira não deverá ser difícil, nem exigirá reformas mais profundas". O cafeicultor Luiz Hafers, que participou da primeira reunião do grupo de trabalho na última terça-feira, diz que a demanda por cafés certificados tende a crescer nos países consumidores. Hafers observou que o Japão deverá aceitar apenas café rastreado a partir de 2006. Na Europa, o consumidor está atento às condições em que são produzidos os alimentos ofertados nos supermercados. Segundo ele, o Brasil sai na frente em relação aos concorrentes, considerando que a legislação trabalhista e ambiental no País "é uma das mais apuradas do mundo". Hafers disse que "vai acompanhar as discussões das regras, de modo cauteloso e interessado". O produtor Wilson Baggio, do Paraná, diz que a adesão às regras de certificação não garante pagamento de ágio. "Mas quem não se adaptar corre risco de ficar fora do mercado", salientou. Além disso, o cafeicultor espera que essas regras não se transformem em barreira ao produto nacional. Ele informou que vai esperar a tradução das regras da EurepGap, para poder dar sugestão. Em princípio, porém, Baggio notou que há exigências descabidas, como declividade do telhado nas residências dos trabalhadores, para que a neve não se acumule.

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