Produtores de cana de SP formam associação para cobrar usinas

Associação de Defesa dos Direitos e Interesses dos Produtores de Cana já reúne cerca de 60 produtores

Gustavo Porto, da Agência Estado,

13 de fevereiro de 2009 | 17h09

Produtores de cana-de-açúcar da principal área de expansão da cultura em São Paulo, no noroeste do Estado criarão uma associação para, na Justiça, cobrar usinas sucroalcooleiras por falta de pagamento e pedir o rompimento de contratos para que possam fornecer a matéria-prima para outros fornecedores.

 

Antes mesmo de ser oficializada, o que deve ocorrer na próxima semana, a Associação de Defesa dos Direitos e Interesses dos Produtores de Cana da Região Noroeste de São Paulo (Producana) já reúne cerca de 60 produtores. O menor deles tem uma área de 10 hectares e um passivo sem receber de aproximadamente R$ 150 mil. "Por baixo, há umas 10 usinas inadimplentes só aqui na região de Araçatuba (SP) e estimamos que haja uma dívida entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões", disse o advogado Jonair Nogueira Martins, idealizador da associação.

 

Segundo ele, entre as irregularidades que serão contestadas estão o pagamento abaixo do açúcar total recuperável (ATR) pelo processamento da cana entregue nas usinas, a suspensão de pagamento de parcelas mensais previstas nos contratos e ainda a paralisação do corte da matéria-prima na lavoura. Diante disso, além da cobrança da dívida, dois tipos de ações serão feitas: uma indenizatória, pela perda da cana que ficou no campo sem ser cortada, e outra para que os produtores sejam liberados dos contratos para fornecerem a cana a quem se dispõe a pagar.

 

"Houve uma euforia com o crescimento da cana nessa região e as usinas, com a crise internacional, deixaram de pagar os fornecedores para aguardar socorro do governo", disse Martins. "Enquanto isso, os agricultores que trataram suas lavouras são executados pelos seus credores", concluiu. A União dos Produtores de Bioenergia (Udop), entidade com sede em Araçatuba (SP) e que representa as usinas da região, informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não se pronuncia sobre suas associadas, principalmente porque ainda não há uma relação de quais serão as acionadas judicialmente.

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