Produtores de MT preveem quebra de até 40% na safrinha de milho

Por causa da falta de chuvas que prejudicou o desenvolvimento das lavouras durante a formação dos grãos, projeções oscilam entre 20% e 40% em relação ao volume do ano passado

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

27 de maio de 2011 | 10h24

As projeções sobre a redução na produção de milho safrinha em Mato Grosso, por causa da falta de chuvas que prejudicou o desenvolvimento das lavouras durante o período de formação dos grãos, oscilam entre 20% e 40% em relação ao volume colhido no ano passado. No geral, as chuvas no Estado cessaram na primeira semana de abril, mas houve algumas ocorrências localizadas na região do médio-norte. A região mais prejudicada é a noroeste, onde o plantio do milho foi tardio, em virtude das chuvas que atrapalharam a colheita da soja.

José Guarino Fernandes, vice-presidente para a região oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), disse que a situação é grave. De acordo com ele, as estimativas da regional do Banco do Brasil são conservadoras, apontando para uma quebra de 20%. Na opinião do presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, a redução da produção será da ordem de 1,5 milhão de toneladas (18,75%) ante o ano passado.

A projeção mais pessimista é do delegado da Aprosoja em Sinop, Leonildo Bares, que prevê uma queda de até 40% na produção, levando em conta a observação feita ao percorrer as principais regiões produtoras do Estado. Bares explicou que o milho plantado até o dia 15 de fevereiro recebeu alto investimento em tecnologia, para colheita de mais de 70 sacas por hectares. Já o milho plantado após este período teve menor uso de insumo, disse ele. Bares acrescentou que o produtor nesta safra semeou o milho no dia 20 de março, bem mais tarde do que no ano passado, quando o plantio foi feito em 16 de fevereiro. No ano passado, ele iniciou a colheita em 2 de junho e neste ano só deve começar no dia 20.

Antonio Galvan, diretor da Aprosoja e presidente do Sindicato Rural de Sinop, calculou que a quebra de safra do milho deve ficar entre 20 a 25%. Segundo Galvan, uma indicação de que a redução será expressiva é o aumento do interesse pelas compras antecipadas. As propostas de compra que há duas semanas estavam em R$ 16/saca agora estão na faixa de R$ 17 a R$ 18. Galvan recordou que nesta mesma época do ano passado, quando os agricultores recebiam propostas de R$ 8/saca, o governo federal "achava que a gente deveria parar de plantar milho". Neste ano, afirmou ele, o governo "está com um abacaxi na mão, pois enfrenta problema de abastecimento de milho".

Ainda não existem dados oficiais sobre a quebra de milho, nem mesmo por parte do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que é vinculado à Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). A aprovação do novo Código Florestal e as especulações sobre o nível de queda da produção de milho foram os assuntos mais discutidos nas rodas de produtores durante a feira de tecnologia agrícola (Entec), que está sendo realizada nesta semana em Lucas do Rio Verde. O evento teve ontem mais uma etapa do ciclo de palestras do Circuito Aprosoja, que percorre os principais polos agrícolas do País.

Em seu pronunciamento, o presidente da Famato, Rui Prado, criticou a "pirotecnia" dos governos estadual e federal nas ações de combate ao desmatamento no norte de Mato Grosso. "Dói no coração", disse ele, que apontou a demora na liberação de licenças como uma das causas para a retomada dos desmatamentos ilegais, que "criou uma demanda reprimida". Prado disse que, entre outras causas, estão a falta de informação, pois alguns achavam que poderiam ser beneficiados pela nova lei. Outro fator é a especulação visando à valorização da terra, como foi o caso de um produtor do Paraná que derrubou 5 mil hectares de florestas.

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