Produzir no País está caro, diz presidente da Natura

O diretor-presidente da Natura, Alessandro Carlucci, considera que está muito caro produzir no Brasil. "O custo Brasil, que engloba câmbio e tributos, está muito alto", disse Carlucci em entrevista à imprensa. Ele ressaltou que 40% da receita líquida da companhia no País vai para pagamento em tributos.

SUZANA INHESTA, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2011 | 13h13

"Na comparação com os últimos anos, está mais caro produzir no Brasil", afirmou. Carlucci ponderou que essa percepção não foi o principal motivador para a companhia resolver produzir via terceiros nos países em que atua. No ano passado, a Natura começou a produzir localmente seus produtos na Argentina. Neste ano, sem período definido, terá início a produção no México (xampu) e Colômbia (maquiagens, sabonetes e creme).

"O principal motivador para a produção local é o bom momento em escala que estamos. Além disso, isso nos gera menor custo, menor impacto ambiental e maior flexibilidade em termos de logística e distribuição", afirmou o diretor presidente.

Sobre um eventual impacto negativo nas vendas por conta do avanço da taxa da inflação brasileira, Carlucci acredita que esse quadro não deverá reverter o crescimento do consumo da população. "Pode ter alguma pequena desaceleração, mas não que seja dramático. As mulheres, por exemplo, não deixam de comprar nossos produtos mesmo em época de crise e inflação", afirmou.

Reajuste

O vice-presidente Jurídico e de Finanças da Natura, Roberto Pedote, afirmou hoje que, neste mês, a empresa aumentou os valores de seus itens em 5%, em média. "Acreditamos que será o único reajuste no ano", disse a jornalistas. No ano passado, no mesmo período, a companhia também aumentou seus preços no mesmo porcentual, avaliando a questão dos custos e o movimento de mercado.

Sobre um eventual avanço no custo de produção, principalmente por um incremento na cotação do petróleo, de onde provêm alguns dos insumos utilizado na fabricação de seus produtos, Pedote acredita que, por enquanto, esse assunto está controlado. "Imaginamos que esse aumento de preço está compatível com o incremento de custos que esperamos para o ano", declarou.

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