Programa Minha Casa vai ser ampliado, diz Dilma

Presidente disse na Índia que adotará mais medidas de incentivo à construção

Tânia Monteiro, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

29 de março de 2012 | 22h50

NOVA DÉLHI - A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira que pretende adotar novas medidas nas áreas tributária e fiscal para criar maior capacidade para o investimento do setor privado. Elas serão anunciadas logo que retornar ao País, segundo informou. Entre as medidas, está o aumento de 2 milhões para 2,4 milhões do número de habitações a serem construídas pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

O objetivo das medidas é elevar a taxa de investimento dos atuais 19% do Produto Interno Bruto (PIB) para 24% ou 25%. Dilma afirmou que o governo "tem de fazer um esforço" nesse sentido. "Os olhos do mundo estão sobre nós. Não apenas por nossa importância econômica, mas porque somos, sem dúvida, a melhor esperança de uma ordem mais justa, mais sustentável e mais multilateral." Além da ampliação do Minha Casa Minha Vida, a presidente citou outras frentes de investimento que considera importantes, como os projetos em mobilidade urbana, hidrovias e a Ferronorte.

Crédito

O esforço não é só na esfera federal. Dilma ressaltou que liberou quase R$ 40 bilhões para os Estados investirem em infraestrutura. O valor refere-se a autorizações para que os governos contratem novas operações de crédito com organismos internacionais e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Mas ela salientou que a iniciativa privada também tem de ampliar os investimentos. "Sem sombra de dúvida, o esforço que nós fazemos tem de ser complementado pelo investimento privado. Sem isso você não cria uma taxa de investimento de 24% como desejamos", disse. 

Dilma avisou ainda que o governo vai ter de elevar os gastos em saúde e educação. Um tema que a tem preocupado é o déficit de médicos no Brasil. "Temos de ampliar o número de médicos. Temos 1,8 médicos para cada mil habitantes, Esta é uma das mais baixas taxas no mundo." 

Segundo a presidente, é preciso manter as despesas nos serviços básicos, mas trabalhar para aumentar a taxa de investimento: "Nem sempre é possível cortar gastos do governo."

Ela reconheceu, ao mesmo tempo, que é necessário reduzir o peso da tributação sobre pessoas e empresas. "Tenho consciência de que o Brasil precisa reduzir a carga tributária. Farei o que for possível para reduzi-la."

Discurso 

Ao discursar na 4.ª reunião dos Brics, Dilma criticou as barreiras impostas pelos países ricos. "A consequente depreciação do dólar e do euro traz enormes vantagens comerciais para os países desenvolvidos e coloca barreiras injustas à competitividade dos demais países, em especial o Brasil."

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