Proibição não pretende proteger bancos alemães, diz BaFin

Restrição da Alemanha às posições vendidas a descoberto tem como objetivo evitar más práticas nos mercados financeiros

Danielle Chaves, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 10h30

A proibição da Alemanha às posições vendidas a descoberto tem como objetivo evitar más práticas nos mercados financeiros, segundo Jochen Sanio, diretor do BaFin, órgão regulador financeiro da Alemanha. Sanio rejeitou sugestões de que a intenção é proteger os bancos alemães. Uma porta-voz do BaFin, por sua vez, afirmou que as posições a descoberto existentes não são afetadas pela proibição.

"Eu quero deixar muito claro que o sistema bancário alemão é solvente (...) e que essas medidas apenas pretendem evitar más práticas no mercado", disse Sanio a legisladores alemães, durante audiência na Câmara Baixa do Parlamento da Alemanha sobre o plano de resgate da zona do euro. Sanio defendeu que o resgate é justificado porque tem havido especulação contra o euro.

Sanio disse que ficou surpreso com o fato de os mercados não terem ficado satisfeitos com a ajuda para a Grécia determinada em abril. Segundo Sanio, as consequências da ausência de um plano de resgate poderia ter sido ainda pior para o euro do que a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 2008, que provocou a crise financeira global.

Enquanto isso, uma porta-voz do BaFin disse que as posições a descoberto existentes não são afetadas pela proibição. "Elas podem permanecer abertas e podem, portanto, ser consideradas normais", afirmou. Segundo a porta-voz, um derivativo sobre os bunds alemães chamado "fund future" e outros derivativos também não são afetados pela proibição. Além disso, formadores de mercado estão isentos da medida.

Ontem a Alemanha anunciou a proibição do chamado "naked short-selling" em ações de 10 das principais instituições financeiras alemãs, em bônus governamentais denominados em euros e em swaps de default de crédito (CDS) relacionados a esses bônus. Segundo o BaFin, entre as ações incluídas na medida estão Aareal Bank, Allianz, Commerzbank, Deutsche Bank, Deutsche Boerse, Deutsche Postbank, Generali Deutschland Holding, Hannover Re, MLP AG e Munich Re.

As informações são da Dow Jones. 

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