Sérgio Dutti/AE
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Projeções para inflação sugerem ajuste da Selic no curto prazo, diz Hamilton

Diretor de Política Econômica do BC explicou que as estimativas para a inflação no cenário de referência e de mercado levam em conta o aumento dos compulsórios e o maior esforço fiscal esperado

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2010 | 11h48

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araujo, reiterou há pouco a mensagem do relatório trimestral de inflação de que a magnitude do desvio das projeções para o IPCA, tanto no cenário de referência como no de mercado, "sugere a necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros". Esse movimento teria por objetivo conter o descompasso entre o ritmo de expansão da oferta e demanda, "bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação".

Hamilton destacou que o desvio das projeções em relação à meta ocorre mesmo com a incorporação dos depósitos compulsórios e a expectativa de ajuste fiscal em 2011. O diretor citou que os principais riscos para a inflação vêm, no lado externo, dos preços das commodities, e do lado interno, do descompasso entre oferta e demanda, da baixa ociosidade dos fatores na economia e do aumento recente nos preços do atacado, itens já mencionados no relatório de inflação divulgado esta manhã. 

Hamilton explicou há instantes que as estimativas para a inflação no cenário de referência e de mercado levam em conta o aumento dos compulsórios e o maior esforço fiscal esperado, mas não refletem as demais medidas macroprudenciais anunciadas recentemente para conter o ritmo do crédito.

Segundo ele, isso acontece porque não é possível determinar com precisão o impacto dessas medidas macroprudenciais na economia. "O nível de incerteza (das projeções) para as demais medidas macroprudenciais é muito maior. Já o depósito compulsório é um episódio recorrente para um lado e para outro. Com isso, temos muito mais informação do impacto potencial do compulsório", explicou Carlos Hamilton.

O diretor disse que as medidas prudenciais caminham "na mesma direção dos depósitos compulsórios". "Mas a estimação disso está condicionada ao comportamento dos bancos e é difícil demais imaginar qual seria esse comportamento dos bancos. Isso diverge entre bancos", explicou. "Um banco A pode condicionar a resposta dele (às medidas) à resposta de um concorrente".

Apesar dessa restrição quanto à previsão dos reflexos, Carlos Hamilton observou que, "no balanço de riscos, isso entra como um fato favorável". "Mas em termos quantitativos estamos avaliando apenas o compulsório", afirmou. 

Questionado sobre por que razão, tão próximo da ata do Copom, o relatório de inflação subiu tão fortemente o tom sobre o cenário inflacionário, o diretor disse que a ata já chamava atenção para os riscos que se apresentavam para a economia. Além disso, ele salientou que a adoção de medidas macroprudenciais, com impacto nas condições monetárias, também indicava uma maior preocupação com o cenário prospectivo.

Cenários

O diretor disse há pouco, ao ser questionado sobre as dificuldades que o BC tem tido este ano para coordenar as expectativas, que nos últimos tempos tem sido mais difícil construir cenários por conta da volatilidade da economia.

"A marca dos últimos tempos tem sido a volatilidade e isso se traduz na construção de cenários", disse. "Reconheço que as incertezas que cercam o cenário são altas. Nosso objetivo na comunicação é informar da melhor maneira possível nossa visão", acrescentou Hamilton.

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