Projetos de hidrelétricas da Eletrobrás no Peru somam US$16 bi

A sonhada integração energética da América do Sul pode começar a sair do papel no ano que vem, segundo o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes. Os primeiros projetos seriam hidrelétricas na Argentina e no Peru, informou.

REUTERS

15 de maio de 2009 | 14h04

A Eletrobrás tem projeto para construir seis usinas no Peru com capacidade de 7 mil a 8 mil megawatts de energia. O investimento total do pacote de usinas é estimado em 16 bilhões de dólares, segundo o executivo.

"Os estudos estão sendo aprofundados. O Governo do Peru ofereceu ao Brasil 15 usinas com capacidade de 20 mil megas. Nós escolhemos primeiramente 4 usinas, mas como a concepção delas olhava só para o Brasil, decidimos ampliar para 6 usinas", disse Muniz Lopes a jornalistas após seminário Integração Brasil-Peru.

A primeira unidade será construída na região de Inambari e terá uma capacidade de 2 mil megawatts de energia.

"Ela (hidrelétrica) já está em viabilidade e estamos definindo os parceiros. A OAS e a GTZ (do Peru) fizeram os estudos de viabilidade. Por hora seremos minoritários", afirmou o executivo ao destacar que o investimento previsto é de 4 bilhões de dólares.

O estudo sobre a hidrelétrica de Gabari, no rio Uruguai, fronteira com a Argentina foi aperfeiçoado, segundo Muniz. A usina terá duas unidades de geração e a capacidade foi ampliada de 1.800 para 2.900 megawatts.

A hidrelétrica será binacional e ficará na fronteira entre Brasil e Argentina, a exemplo de Itaipu, dividida entre Brasil e Paraguai.

"Esse é um projeto bem avançado e os sócios são Eletrobrás e Ebisa (da Argentina)", declarou Muniz Lopes. "Tenho uma luta para isso ocorrer no ano que vem. A questão ambiental é um desafio nessa região", explicou.

O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, afirmou que o Brasil vai exigir a assinatura de tratados internacionais entre os países envolvidos para garantir a contunidade dos projetos.

"A integração só deve ser implementada com tratados internacionais, pela experiência que tivemos", disse ele ao se referir aos contratos de Itaipu, com o Paraguai, e do Gasbol, com a Bolívia, ambos pontos frequentes de conflitos entres os países envolvidos.

MP

O presidente da Eletrobrás comemorou ainda a aprovação da medida provisória que flexibiliza as contratações da estatal.

Segundo ele, a desobrigação de cumprir a lei de licitação, a 8.666, pode transformar a Eletrobrás em uma empresa "mega, como a Petrobras", afimrou.

O executivo informou porém que a flebilixação da lei está sendo questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e o mérito está sendo julgado pelo STF. Se a MP for derrubada pelo Supremo, o Governo pode optar pela votação de uma nova lei.

"Quando o interesse nacional está em jogo o Congresso se mobiliza", avaliou Muniz.

O executivo acrescentou que a flexibilização pode alterar a participação da estatal em futuros empreendimentos e licitações.

"Podemos passar a ser majoritários nos projetos", concluiu.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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