Wilton Junior/Estadão - 4/10/2013
Wilton Junior/Estadão - 4/10/2013

Proposta chinesa faz ação da Oi subir 13,8%

Representantes da China Telecom e do fundo americano TPG apresentaram ao governo plano que prevê investimentos de R$ 10 bilhões na operadora

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2017 | 21h33

BRASÍLIA - Diante da expectativa a respeito da entrada de novos investidores na Oi, as ações ordinárias (com direito a voto) da companhia subiram ontem 11,75%. As preferenciais registraram alta de 13,87%.

O desempenho positivo dos papéis foi uma reação ao movimento de representantes da operadora China Telecom e do fundo norte-americano Texas Pacific Group (TPG), que apresentaram ontem ao governo um plano que prevê investimentos de R$ 10 bilhões na companhia. A ideia é reabilitar a empresa e permitir que ela possa concorrer com seus principais concorrentes, Vivo e Claro.

A Oi deve mais de R$ 64 bilhões e está em recuperação judicial desde junho do ano passado. Em setembro, a China Telecom e o TPG firmaram um acordo de confidencialidade com a Oi para ter acesso a informações da empresa. 

A solução combinada dos chineses com o fundo americano é vista dentro do governo como a melhor solução para a companhia. Uma fonte de mercado envolvida nas negociações com a Oi classificou a proposta como positiva diante da situação difícil da tele. 

O plano foi apresentado à ministra-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, líder do grupo de trabalho que busca uma solução para a companhia. Os chineses, segundo fontes, elogiaram os trabalhos da ministra, que teria sido ágil nas negociações que envolvem a empresa.

++Proposta da Oi para multas deve ser rejeitada

++Bancos e credores querem adiar assembleia da Oi em um mês

A premissa dos trabalhos do governo é a retirada dos créditos da União do plano de recuperação judicial da companhia. Da dívida de R$ 64 bilhões, R$ 20 bilhões são devidos à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à AGU. 

A ministra também recebeu o empresário Nelson Tanure, ligado ao fundo Société Mondiale, um dos acionistas mais influentes no Conselho de Administração da Oi.

Tanure teria apresentado o plano de recuperação judicial protocolado na Justiça, aprovado pelo conselho, mas criticado pela diretoria executiva da Oi. Ele teria sinalizado que dará apoio a qualquer plano apresentado pela AGU.

Tanure, que tem ligações com a Pharol – antiga Portugal Telecom e maior acionista da Oi – tentava angariar apoio para o plano que a operadora já apresentou, mas o governo já havia sinalizado que a proposta não seria aceita, pois incluía dívidas com órgãos como a Anatel na recuperação judicial.

O empresário tentava não ver sua fatia na empresa diluída, hipótese que deverá ocorrer em planos alternativos, incluindo o da China Telecom e da TPG.

Parcelamento. A ministra trabalha para elaborar uma solução que permita o parcelamento da dívida em um prazo mais longo do que os atuais cinco anos. Embora a Medida Provisória 780 conceda o prazo de 20 anos, ela exige uma entrada de 20%, algo que inviabiliza a adesão da companhia. 

A avaliação do governo é que é preciso criar algum dispositivo para o tratamento de dívidas regulatórias de empresas em recuperação judicial, e não algo específico e válido apenas para a Oi. Não haverá perdão de dívidas para a companhia.

Na próxima segunda-feira, dia 6, a ministra vai receber o presidente da Oi, Marco Schroeder, e o presidente da Pharol, Luís Palha, integrante do conselho de administração da empresa.

Uma nova reunião do grupo de trabalho do governo sobre a companhia será realizada no mesmo dia. O grupo corre contra o tempo para não ter que adiar a assembleia geral de credores, marcada para o dia 10 de novembro.

Experiência. O governo não declarou nenhuma preferência sobre os potenciais investidores da Oi, mas os chineses são os únicos que efetivamente atuam na área de telecomunicações. 

Qualquer operadora de grande porte que tivesse demonstrado interesse na companhia, como a americana AT&T e a britânica Vodafone, receberia o mesmo tratamento, mas isso não se concretizou.

Os demais interessados na Oi, como credores e fundos de investimento, atuam na área financeira, a exemplo do que ocorreu na origem dos grupos Telemar e Brasil Telecom, na privatização da Telebrás, em 1998. Nos bastidores, isso é apontado como uma das causas dos problemas das duas companhias, que deram origem à Oi.

Até agora, a China Telecom foi a única que mostrou ter capacidade para assumir operações do porte da Oi, que atua em todo o território nacional. Há expectativa de que fundos como Cerberus e Elliott também possam entrar em campo, embora nenhum movimento concreto tenha sido feito até agora. 

Mais conteúdo sobre:
OiTelecomunicações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.