Prorrogação do IPI permitirá aumento de vendas, diz Anfavea

Associação prevê número recorde de unidades comercializadas no primeiro semestre deste ano

Jacqueline Farid, Isabel Sobral, Renata Veríssimo e Célia Froufe, da Agência Estado,

29 de junho de 2009 | 14h23

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou nesta segunda-feira, 29, que a prorrogação da redução do IPI sobre vendas de automóveis, anunciada pelo governo federal, permitirá o aumento de vendas no setor. "São medidas veementes no sentido de manter a atividade econômica no País", afirmou Schneider após a solenidade de anúncio de um conjunto de medidas de desonerações fiscais e financeiras.

 

De acordo com ele, os números sobre as vendas de carros no primeiro semestre deste ano, que ainda não estão fechados, deverão ser superiores às vendas do primeiro semestre do ano passado. "Provavelmente, deveremos fechar este semestre com um novo recorde de vendas", afirmou ele, informando de forma genérica que as vendas no primeiro semestre de 2008 foram em torno de 1,5 milhão de automóveis.

 

O presidente da Anfavea disse também que o Brasil ainda tem uma demanda reprimida de carros. Schneider informou que a elevação gradual de IPI, que deve ocorrer a partir de outubro, deverá ser feita na proporção de 30% a cada mês até janeiro de 2010, quando devem voltar as alíquotas normais.

 

Apoio

 

O economista da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida, considera as medidas de prorrogação da redução do IPI para bens duráveis como "perfeitas". Segundo ele, "a ampliação do prazo ocorre para os segmentos que mais precisam, não há reparos a fazer sobre essas medidas", afirmou.

 

Gomes de Almeida também considera "muito importante" a prorrogação, por um ano e meio, na desoneração de pães e farinha de trigo. "São produtos de muito peso na cesta básica que ficam mais baratos, isso colabora para manter a renda disponível para o consumo, é muito importante para o consumo doméstico", avalia.

 

O economista elogiou também a redução da taxa de juros à longo prazo (TJLP), de 6,25% para 6,0% e considera positivas as medidas voltadas para bens de capital. Porém, no que diz respeito especificamente aos investimentos, ele disse que as iniciativas governamentais e do BNDES anunciadas há pouco não serão suficientes. "O investimento ainda vai ficar na rua da amargura", acredita.

 

O argumento de Gomes de Almeida é que seria necessária uma medida de impacto mais forte para alavancar os investimentos, como a redução de imposto de renda para empresas que se comprometerem a investir a partir deste ano, mesmo em meio à crise. "As medidas para bens de capital são importantes e talvez impeçam que a produção industrial desses produtos caia mais, mas não será suficiente para alavancar investimentos, para isso teria que ocorrer redução de impostos para novos investimentos", alerta.

 

Geração de empregos

 

O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, afirmou que as medidas vão ajudar a aumentar a geração de empregos com carteira assinada no País. "Estamos satisfeitos porque as medidas vêm na direção correta", afirmou o sindicalista, logo após a solenidade em Brasília.

 

Segundo ele, a CUT e outras centrais sindicais assinaram um acordo formal com as empresas do setor automotivo para manutenção dos níveis atuais de empregos pelo menos enquanto durarem os incentivos tributários. "O acordo valerá para os setores de motos, veículos, caminhões e ônibus", afirmou Artur Henrique.

 

Ainda sem data, o presidente da CUT informou que o acordo deverá ser ampliado para empresas de outros setores beneficiados pela redução temporária de impostos, como a de eletrodomésticos da linha branca e a construção civil.

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