Protesto afeta mina de carvão da Vale em Moçambique

Centenas de manifestantes bloquearam nesta quarta-feira, 17, a entrada de uma mina de carvão controlada pela Vale em Moçambique para exigir mais compensações pela perda de sua fonte de renda. O grupo de moçambicanos usou rochas para obstruir duas estradas e uma ferrovia que levam à mina de Moatize, localizada na província de Tete, e exigiu falar com a gerência da mineradora brasileira.

Agencia Estado

17 de abril de 2013 | 11h09

Enquanto a polícia diz que menos de 300 manifestantes cercam a mina, organizadores afirmam que mais de 1 mil pessoas participam do protesto. "Eles são pacíficos. Só querem falar com a Vale", disse a administradora do distrito de Moatize, Elsa Barca.

A comunidade local está frustrada com as perdas que sofreu com o fim das operações de fabrico de tijolos na área ocupada pela mina da Vale. Os manifestantes argumentam que os cerca de US$ 1,9 mil que cada oleiro recebeu em 2008 como indenização inicial não foram suficientes e que as empresas do ramo deveriam ser indenizadas em até US$ 32 mil pelos prejuízos que tiveram.

"Quando a Vale veio para Moçambique, o governo disse que ficaríamos muito ricos. É por isso que queremos que a empresa pague o que nos deve", disse Maxwell April, um dos manifestantes.

Elsa, no entanto, foi inflexível. "Esse processo foi concluído em 2010 e, no que diz respeito ao governo, não há espaço para negociação", disse, acrescentando que a polícia monitora a situação e não fará uso de força se o protesto permanecer pacífico.

A mina de Moatize produz milhões de toneladas de carvão anualmente, mas seu desempenho é prejudicado pela infraestrutura logística deficiente, o que afeta as exportações.

Em comunicado, a Vale diz que respeita "os direitos de cidadãos de protestar pacificamente", mas insistiu que já atendeu as exigências dos oleiros. Segundo Elsa, representantes da mineradora vão se reunir ainda nesta quarta-feira com os manifestantes. As informações são da Dow Jones.

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