Próxima década terá fim da era do petróleo barato, diz estudo

Segundo pesquisa elaborada pela FGV e Ernst & Young Terco, projeção é de que o setor movimente US$ 1 trilhão no Brasil até 2020

Kelly Lima,

21 de setembro de 2011 | 14h51

O fim da era do petróleo barato e a expansão das reservas de elevado custo deverão marcar a próxima década, segundo estudo elaborado pela Ernst & Young Terco em parceria com a FGV Projetos, que prevê o Brasil na ponta do crescimento da oferta no período. A estimativa é de que cadeia do petróleo movimente US$ 1 trilhão no Brasil até 2020, considerando como base apenas os investimentos anunciados pela Petrobras, de US$ 224, 7 bi até 2015.

No quesito consumo, a expansão nesta década ocorrerá principalmente nos países emergentes. De acordo com o estudo, o Brasil terá um aumento de 29% em sua demanda, passando a representar 4% do consumo mundial ao final de 2020. Projeta-se que, até lá, o País será responsável por 5% da produção mundial, o que fará do Brasil um exportador de petróleo. Já os Estados Unidos, mesmo continuando na liderança global - 18% do consumo total -, verão seu consumo interno retrair em 15% no período.

A sócia da Ernst & Young, Elizabeth Ramos lembra que a média de custo diário de exploração hoje num campo de petróleo nestas reservas de mais difícil acesso tem variado entre US$ 250 mil a US$ 1 milhão. "É desnecessário dizer qual a importância do gerenciamento de custos de uma empresa deste porte", comentou.

Segundo ela, dentro deste gerenciamento, a questão do conteúdo local deverá passar "em breve" a ser mais uma política industrial, e acabar sendo uma opção da cadeia produtiva e menos definição legislativa ou cláusula contratual. "Este conceito precisa se desenvolver a ponto de a indústria querer contratar no Brasil, independente de ser obrigada a contratar aqui. Não há um momento em exato em que esperamos que isso vai acontecer. Existem desafios ligados a todas as áreas, mas superação e a evolução indicarão o momento em que o Brasil poderá ser competitivo internacionalmente."

Para ela a evolução já está acontecendo, mas ainda falta ao País reduzir gargalos como a falta de mão-de-obra qualificada e de regra tributária específica. "As leis vigentes se detêm mais nos modelos de contrato, pagamentos de royalties e outras participações da União. Mas são omissas em relação a detalhes da tributação. Todos os contribuintes criam soluções e o risco de encontrar soluções diferentes entre si é muito alto. A busca é tentar encontrar formas de prever exatamente o que será pago lá na frente. Há um horizonte muito grande por se fazer. O Repetro é um exemplo, importa-se equipamentos com suspensão de impostos. E de 60% a 70% do Repetro pode estar sujeito a uma tributação. Isso deixa o investidor inseguro. É preciso mais velocidade para solucionar este ponto.

Para ela, outro gargalo é ainda saber onde conseguir os elevados financiamentos e quais são os mais eficientes para aplicar nos elevados investimentos necessários para extrair as reservas. Project finance e private equity são os mais usuais, já que linhas tradicionais são mais caras. Porém, as fusões e aquisições tem sido um caminho alternativo. Em 2010, segundo o estudo, as fusões e aquisições no setor ficaram acima dos US$ 30 bilhões, sendo US$ 18 bi no upstream.

Pré-sal

As jazidas descobertas na área do pré-sal nas bacias de Campos, Santos e Rio de Janeiro devem proporcionar ao Brasil uma receita de US$ 27,9 bilhões com exportações de petróleo em 2020, calcula o estudo.

Segundo a pesquisa, são esperados para 2020 volumes de 600 mil barris exportados por dia. A receita estimada representa um aumento de 73% em relação a 2010 (US$ 16,1 bilhões). Levando-se em conta o crescimento do PIB do País ao longo da década passada, as exportações geradas pelo pré-sal terão um impacto positivo de apenas 0,4 ponto porcentual para o PIB brasileiro em 2020 - ressaltando a necessidade de ênfase não só na produção e na exportação de petróleo bruto, mas também em investimentos no refino, para agregar mais valor. "Hoje o Brasil precisa de refinarias para elevar o valor deste produto a ser exportado", afirmou Elizabeth Ramos, sócia da Ernst Young.

Para a área de gás natural, as estimativas são de que entre 2011 e 2020, a conversão do gás em combustíveis líquidos (GLT) deve ter maior aplicação com a ampliação de sua oferta no mercado internacional por conta da exploração de gás de xisto nos EUA. O aumento do preço do petróleo ajuda a completar esse cenário. No Brasil, a entrada em operação dos campos do pré-sal e a extensão das redes de distribuição do produto farão com que o gás natural ganhe peso e relevância na oferta de energia ao longo das próximas décadas. Além do pré-sal brasileiro, devem entrar em operação o campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, e o de Camarupim, na Bacia de Espírito Santo. Com isso, os números do consumo de gás no País serão maiores.

Atualmente são absorvidos 50 milhões de metros cúbicos/dia; em 2019, serão 169 milhões de metros cúbicos/dia. Agregada à recente implantação da infraestrutura de transporte que integra as regiões Sudeste e Nordeste, a nova oferta deve aumentar a gaseificação do consumo energético, atendendo a novas indústrias e garantindo a geração de termelétricas a gás natural.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.