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Próxima etapa é ‘destravar’ a venda da paraense Big Ben

Desempenho das bandeiras da empresa do BTG tem ficado abaixo da média do mercado

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 05h00

A Rosário não deverá ser o último negócio do qual o braço de farmácias do BTG deverá se desfazer. Segundo fontes de mercado, um dos objetivos de curto prazo da Brasil Pharma seria a venda da Big Ben, considerado o melhor ativo de seu portfólio, com 258 lojas próprias e uma posição forte no Estado do Pará.

Segundo informações do mercado financeiro, o principal candidato à aquisição seria o Grupo Ultra, dono dos postos de combustíveis Ipiranga, que comprou a principal rival da Big Ben, a Extrafarma, há três anos. A meta de arrecadação com a Big Ben seria de R$ 1 bilhão, mas o Estado apurou que o valor pode acabar sendo mais baixo.

“Uma das coisas a se pensar é que, por causa da concentração de mercado no Pará, o negócio pode ter dificuldades para ser aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, diz uma fonte.

Além da Big Ben, restam no portfólio da Brasil Pharma uma rede de médio porte com lojas próprias (a baiana Santana, com 121 unidades) e a Farmais (que tem 424 pontos de venda e funciona no sistema de franquias). Este último ativo é visto como o mais “desafiador” em relação à atração de um possível interessado em comprá-lo, segundo o Estado apurou.

Desempenho. O setor de medicamentos vem sendo considerado um dos destaques de resistência à crise econômica. A líder de mercado, a rede Raia Drogasil, vem crescendo acima de 10% ao ano. No entanto, as bandeiras da Brasil Pharma têm apresentado resultado negativo há vários trimestres.

Entre abril e junho de 2016, as bandeiras da Brasil Pharma tiveram queda de 21,7% nas vendas das lojas em funcionamento há mais de um ano, em relação ao mesmo período de 2015. O prejuízo líquido da operação foi de R$ 87,5 milhões, superando as perdas de R$ 80,1 milhões do mesmo período do ano passado.

Como base de comparação, a Raia Drogasil, teve crescimento de 14,5% nas lojas abertas há mais de 12 meses no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro da companhia foi de R$ 157,1 milhões no período, alta de 44,6% ante 2015.

Relatório divulgado pelo próprio BTG Pactual semana passada, com base em reunião da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), classificou o setor como “muito promissor”, citando tendências como o envelhecimento da população brasileira e a alta das vendas de medicamentos de maior valor agregado. Procurado, o Grupo Ultra não quis comentar seu interesse pela Big Ben.

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