Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

PSA vai lançar seis veículos e espera conquistar 5% do mercado e lucratividade no País

Presidente mundial do grupo francês está otimista com o mercado brasileiro, já na Europa, ele teme pelas demissões com o que considera 'pressa' das autoridades com a eletrificação dos carros

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 05h00

Em visita de três dias ao Brasil, o presidente mundial da PSA Peugeot Citroën, Carlos Tavares, reforçou nesta quarta-feira o plano do grupo de lançar pelo menos dois novos veículos de cada uma das marcas até 2021, a maior parte de produção local, com objetivo de alcançar 5% de participação no mercado nacional.

Presente no País como fabricante desde 2001, as duas marcas francesas respondem por apenas 2% das vendas atualmente e a fábrica de Porto Real (RJ) opera com apenas metade de sua capacidade, que é de 150 mil veículos ao ano, em dois turnos.

“O plano que chamamos de ‘virada Brasil’, também tem como meta a lucratividade das operações”, diz o executivo. O grupo opera com prejuízos desde 2012. Na América Latina, o resultado financeiro do ano passado foi de equilíbrio, depois de três anos de ganhos.

Tavares conta com o crescimento mais sustentável da economia brasileira “que tem potencial grande e está tomando decisões na direção correta”.

Globalmente, a PSA, segunda maior fabricante de carros na Europa, atrás da Volkswagen, passa por um momento positivo, com vendas de 3,88 milhões de veículos em 2018 (6,8% a mais que o ano anterior) e alta de 40% no lucro, para 3,3 bilhões de euros. Boa parte do resultado se deve ao desempenho da Opel, a operação europeia da General Motors adquirida em meados de 2017 e que teve lucro de 859 milhões. Nas mãos da GM, a marca registrou prejuízos nos 20 anos anteriores.

Com dinheiro em caixa, ele afirma que o grupo “está em posição de caçador e não de caça”. A PSA avalia novas fusões e até compra de marcas, mas Tavares afirma que não há ainda nenhum plano em andamento nesse sentido. Os últimos dias, a imprensa internacional tem dito que haveria interesse do grupo em parceiras com a Fiat Chrysler, Jaguar Land Rover e até mesmo a GM.

“São boatos”, limitou-se a dizer sobre esse tema. Essas ações poderiam ajudar o grupo a desenvolver mais rapidamente tecnologias de redução de emissões, de desenvolvimento de carros elétricos e autônomos, além de entrar em mercados onde não está atualmente, como o americano. 

Elétricos e demissões

Tavares, que também preside a Acea, associação das montadoras europeias, voltou a insistir nas consequências da decisão de outubro do Parlamento Europeu de fixar em 40% o nível de redução de emissões dos veículos vendidos na região até 2030. O porcentual é o dobro do sugerido pelas fabricantes.

“É uma mudança muito drástica no modelo de produção de carros e vai causar o fechamento de fábricas e milhares de desempregos”, prevê o executivo português. Segundo ele, desde janeiro já houve anúncios por parte de várias montadoras de demissão de 30 mil trabalhadores até 2020 em razão das mudanças na legislação ambiental.

A indústria, ressalta ele, concorda que é preciso trabalhar para melhorar os níveis de emissão de poluentes, mas diz que a pressa terá consequências drásticas para a sociedade. Além do desemprego, ele cita que o preço do carro elétrico é bem mais alto do que os modelos a combustão, o que poderá diminuir drasticamente o consumo. “O custo da mobilidade, da liberdade de movimento, vai ser multiplicada por dois e ficará inviável especialmente para a classe média”.

Também há o problema da bateria, que representa 40% do custo do automóvel e hoje a produção desse equipamento está centralizada na China. Ressalta ainda que não há, no momento, investimentos significativos para a criação de rede de recarga das baterias e que o preço da energia elétrica também vai subir.

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