Quatro grupos e Eletronorte disputarão usina no rio Madeira

A estatal Eletronorte inscreveu-seisoladamente à disputa pela concessão da usina de SantoAntônio, que será construída no rio Madeira, em Rondônia, umprojeto de 9,5 bilhões de reais, prioritário dentro do Programade Aceleração do Crescimento (PAC). Outros quatro grupos,incluindo empresas estrangeiras e grandes construtorasbrasileiras, confirmaram interesse no leilão, marcado para 10de dezembro. A Eletronorte, da holding Eletrobrás, chegou a negociar como consórcio liderado pela empresa de engenharia Alusa, mas "nãohouve acordo", como contou à Reuters José Reis, presidente doConselho da EuroVentures, consultoria que atuou na formaçãodesse grupo de investidores. Além da Alupar Investimentos, representando a Alusa, com37,5 por cento do consórcio "Norte Energia", participam aSchahin Holding (27,5 por cento), a argentina Impsa-IndústriasMetalúrgicas Pescarmona (15 por cento), a Schahin Engenharia(10 por cento) e a UTC Engenharia (10 por cento). Na avaliação de Reis, apesar da ausência de uma estatal noconsórcio, os grupos têm condições iguais de competir peloprojeto, que terá capacidade de 3.150 Megawatts (MW). Ocomplexo hidrelétrico do Madeira, que vai garantir energia parao país a partir da próxima década, será complementado peloleilão da usina de Jirau, com 3.300 MW, previsto para início de2008. "Os consórcios são todos fortes, nenhum tem alguma vantagemneste momento", afirmou o executivo. Na opinião do consultor,qualquer que seja o vencedor, vai recorrer à linha definanciamento de até 75 por cento do valor da obra anunciadapelo BNDES. A composição dos consórcios, divulgada pela AgênciaNacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira, ao fimdo prazo de dois dias para inscrições, pode ser alterada após aassinatura do contrato de concessão, de acordo com o edital delicitação. OFERTA DE AÇÕES Reis explicou que o consórcio "Norte Energia", por exemplo,terá que ser reformatado, em caso de vitória, por causa dalimitação prevista em edital de participação máxima de 20 porcento a fornecedores e construtoras. "Se a gente ganhar o leilão, não faltarão parceiros,seguramente entrarão outros sócios", disse. Um dos potenciaisinvestidores é o fundo de private equity do banco austríacoMeinl, segundo Reis. Por outro lado, ele tem dúvida sobre aatratividade de ter como sócia a BNDESPar, empresa departicipações do BNDES, que se dispõe a deter entre 10 e 20 porcento da nova hidrelétrica. A melhor alternativa de capitalização, acredita oespecialista, é oferta inicial de ações. A constituição de umaSociedade de Propósito Específico (SPE) para gerir a usina deSanto Antônio, como previsto no edital de licitação, embutevárias exigências de governança corporativa. Outro consórcio que admite abrir o capital é formado pelaSesa-Suez South America Participações (51 por cento),controladora da Tractebel Energia, do grupo franco-belga Suez,e a estatal Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás (49 porcento). Uma fonte ligada a esse consórcio, batizado de "EnergiaSustentável do Brasil (Cesb)", informou à Reuters que, se forvencedor, o grupo abrirá espaço para novos sócios,potencialmente BNDESPar e fundos de pensão, e fará oferta deações. O consórcio também defendeu a manutenção da dataprevista para o leilão. A Tractebel Energia já é a maior geradora privada doBrasil, com capacidade instalada de 5.881 MW, produzindo 8 porcento do total da energia elétrica consumida no país. Em 2002,ela levou a concessão da usina de Estreito, em parceria com aCompanhia Vale do Rio Doce, Alcoa Alumínio e Camargo CorrêaEnergia. A usina de Estreito, no rio Tocantins (MA/TO), terácapacidade de 1.087 MW, com investimentos de 1,2 bilhão dereais. Desta vez, a Camargo Corrêa está num grupo concorrente: o"Consórcio de Empresas Investimentos de Santo Antônio (Ceisa)",composto por Camargo Corrêa Investimentos em Infra-estrutura(0,9 por cento), CPFL Energia (25,05 por cento) --que tem entreos sócios o grupo Camargo Corrêa, Bradespar e Votorantim, alémde fundos de pensão--, a subsidiária brasileira da espanholaEndesa (25,05 por cento) e a estatal Chesf (49 por cento). Outro consórcio, o "Madeira Energia", inclui a construtoraNorberto Odebrecht, que conduziu os estudos de viabilidade dasusinas de Santo Antônio e Jirau, em 2004. Além de umcompromisso firmado com a estatal Furnas, outros acordos deexclusividade firmados pela Odebrecht geraram muita polêmica nareta final para o leilão. Foi mantida a parceria com Furnas (39 por cento) noconsórcio, em que a Odebrecht Investimentos em Infra-estruturatem 17,6 por cento e a construtora do grupo, 1 por cento.Entraram também a Andrade Gutierrez Participações (12,4 porcento), a estatal mineira Cemig (10 por cento) e o fundo deinvestimentos e participações Amazônia Energia, formado pelosbancos Banif e Santander (20 por cento). O leilão da usina de Santo Antônio será feito pelo lancemenor em relação ao preço máximo de 122 reais por MWh definidono edital. A transação será feita por meio eletrônico, em salaisolada para cada consórcio, na sede da Aneel, em Brasília. Nomesmo dia será negociada energia da futura hidrelétrica com 31distribuidoras inscritas. Na próxima sexta-feira, serãoentregues as garantias para a participação no leilão.

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