Quebra do monopólio do resseguro atrai gigantes do setor ao país

O monopólio estatal nomercado de resseguros do Brasil será finalmente extinto apartir de quinta-feira, segundo a Superintendência de SegurosPrivados (Susep), e grandes companhias do setor já se preparampara atuar no país. Inicialmente, o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB),que até agora dominava sozinho o segmento desde sua criação em1939, terá a competição do Lloyds como seguradora admitida e daMunich Re como resseguradora eventual --que se diferem, entreoutras coisas, por ter ou não escritório de representação nopaís. Outras quatro seguradoras obtiveram autorização prévia e jáprotocolaram a documentação exigida para operar no mercadobrasileiro: Scor Re, Swiss Re, Swiss Re America e TransatlanticRe. Além disso, a Susep analisa os pedidos de J.Malucelli,Munich Re, XL Re, para atuar como resseguradoras locais, e daMapfre Re, que pretende ser uma resseguradora eventual. Adicionalmente, a Mapfre Re (como operadora local), PartnerRe, Hannover Re e Federal Insurance Company (comoresseguradoras admitidas) manifestaram interesse em atuar noBrasil. Armando Vergílio, superintendente-geral da Susep, disse queo número de resseguradoras interessadas em operar no Brasilsuperou as expectativas, mas poderia ser ainda maior não fossea crise global. "Temos um cenário que comprova o alto grau de interesse noBrasil. Não é qualquer empresa que está vindo para cá, sãograndes companhias. O Brasil é o único grande balcão do mundodisponível. Somente Cuba e Costa Rica têm o mercado fechado." Ele considerou que o atraso na entrega da documentaçãotambém impediu o registro imediato de um maior número decompanhias. EXPECTATIVAS A expectativa da Susep é de que o mercado de resseguro noBrasil cresça 20 por cento neste ano e dobre de tamanho até2012. No ano passado, o setor movimentou 3,7 bilhões de reais. De acordo com Vergílio, até dezembro seis resseguradoraslocais estarão operando no Brasil. Ele acredita que entreoperadoras locais, eventuais e admitidas, de 60 a 70resseguradoras vão operar no país nos próximos anos. Nesse sentido, as gigantes do setor já começam a fazerplanos. A Swiss Re, líder mundial do segmento, pretende repetiro feito no Brasil. "Não vamos fazer loucura, mas nossa meta é ter 20 por centodo mercado de (seguros de) vida e 10 por cento dos demais ramosno prazo de três a cinco anos", disse nesta quarta-feira odiretor-presidente da Swiss Re no Brasil, Henrique Oliveira. Segundo ele, o Brasil é um dos mercados mais cobiçadospelas resseguradoras entre os emergentes, uma vez que osegmento ainda tem um baixo nível de penetração --cerca de 5por cento do mercado segurador tem resseguros, ante média de 15por cento em outros países. Além disso, Oliveira aponta uma série de outros fatores quepodem contribuir para a expansão desse mercado. "A expectativade continuidade do ciclo de crescimento da economia, comgradual aumento da formalização, vai levar à expansão daprocura por produtos mais sofisticados, que demandam maisresseguros", afirmou. Além disso, Oliveira considerou que o aumento dosinvestimentos governamentais em obras de infra-estrutura,puxadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e aexpectativa de novos empreendimentos privados de grande porte,como da Petrobras, também devem devem acelerar a demanda porseguros e resseguros.

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