Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Petrobrás deve reduzir meta de produção de petróleo

Corte nos investimentos e crise financeira vão afetar desempenho nos próximos anos, diz diretora de Exploração

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 14h14

(Atualização às 23h20)

RIO - A Petrobrás reconheceu que a redução nos investimentos e a crise financeira vão afetar a produção nos próximos anos. Segundo a diretora de Exploração e Produção, Solange Guedes, a companhia poderá revisar a meta de produção a partir de 2018, estimada em 2,8 milhões de barris de óleo por dia.

Na quinta-feira, a empresa divulgou o resultado do terceiro trimestre, um prejuízo de R$ 3,76 bilhões, e anunciou novo corte nos investimentos deste ano, desta vez no valor de US$ 2 bilhões. O mercado reagiu com pessimismo diante do prejuízo no terceiro trimestre e as ações preferenciais recuaram até 4% nesta sexta-feira, 13, na BMF&Bovespa diante do risco de a estatal não pagar dividendos pelo segundo ano consecutivo. 

Em teleconferência com analistas, o diretor financeiro Ivan Monteiro tentou reforçar o tom de confiança quanto às alternativas de financiamento e ao desempenho da empresa. Segundo ele, a estatal não conseguiu executar os desembolsos referentes ao total de investimentos previstos para este ano, o que provocou o novo corte.

“Não estamos alterando premissas, mas é um exercício sobre as melhores expectativas para o fluxo de caixa para 2015. Nossa expectativa é de atingirmos US$ 23 bilhões de investimentos”, afirmou Monteiro. A previsão inicial da companhia, anunciada em junho, era desembolsar US$ 28 bilhões. 

“Ajustes em investimentos da companhia podem fazer com que haja ajustes desses sistemas (de produção)”, admitiu Solange Guedes, diretora de Exploração e Produção (E&P). Segundo ela, a companhia está negociando prazos de entrega de equipamentos e novas plataformas previstas para 2017, o que pode provocar reavaliação das metas estabelecidas para 2020. “A meta de produção de 2,8 milhões de barris por dia está sendo avaliada”, completou. 

“As ações para entregar a produção de 2017 já estão em andamento. Não é possível fazer uma grande mudança de rumo, uma vez que (a construção das unidades) já está com grande avanço físico. Eventuais ajustes aqui ou acolá não trarão efeitos significativos num prazo de dois anos. Mas 2020 já é diferente. Alguns ajustes podem ser feitos no nosso caminho.”

O risco de não haver pagamento de lucros aos acionistas foi a principal preocupação demonstrada pelos analistas. As ações preferenciais tiveram queda de 4%, enquanto a ordinária caiu menos (2,66%). “Dividendos de 2015? Improváveis, uma vez que são esperados baixas contábeis (impairments) no quarto trimestre”, avaliou o HSBC em relatório. Já o Credit Suisse alertou que a companhia também enfrentará no final do ano “premissas mais desfavoráveis para o preço do petróleo e para o câmbio”. 

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