Queda do PIB no quarto trimestre é a maior desde 1996

Retração da economia foi de 3,6% no período, na comparação com o 3º trimestre do ano passado

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Es,

10 Março 2009 | 09h05

A queda no crescimento da economia brasileira foi maior do que o esperado no quarto trimestre de 2008, período em que a crise se acentuou no País. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira, 10, o Produto Interno Bruto (PIB) do período caiu 3,6%, ante o terceiro trimestre de 2008. A estimativa era de uma retração entre 1,60% e 3,50%. Trata-se da maior queda trimestral apurada pelo IBGE, desde o início da série histórica em 1996.       Veja também: PIB da indústria tem a maior queda desde 1996 Investimento em produção tem a maior queda desde 1996 Consumo das famílias tem primeira queda em 6 anos De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     O tombo da economia do País foi puxado pelo desempenho da indústria, que desabou 7,4% na mesma base de comparação, a maior desde 1996. Para a agropecuária e o setor de serviços, a queda foi bem menor, de 0,5% e 0,4%, respectivamente.   Outro dado muito negativo que pesou no PIB do quarto trimestre é o investimento em produção, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). O total, que vinha crescendo fortemente, despencou 9,8% na mesma base de comparação. Esta taxa é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.   Já o consumo das famílias registrou a primeira queda desde o segundo trimestre de 2003. A retração foi de 2,0% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A expansão do consumo e dos investimentos vinha liderando o crescimento da atividade econômica inclusive no terceiro trimestre, quando, em meados de setembro, o banco americano Lehman Brothers quebrou e a crise econômica global se agravou. No terceiro trimestre, o consumo das famílias tinha crescido 2,8% ante o segundo trimestre e 7,3% na comparação com igual período de 2007. O consumo do governo, por outro lado, manteve-se em alta, de 0,5%.   A queda na demanda interna é mostrada também pelo desempenho do comércio exterior. As exportações de bens e serviços registraram queda de 2,9% no quarto trimestre de 2008, ante o terceiro trimestre do mesmo ano, enquanto as importações registraram recuo de 8,2%.   Na comparação com o quarto trimestre de 2007, o PIB registrou expansão de 1,3%, dentro do previsto, mas abaixo da mediana. Neste caso, as estimativas variavam de expansão de 0,60% a 2,80%, com mediana de 2,00%.   Resultado anual   Com os resultados do quarto trimestre, o PIB brasileiro fechou 2008 com uma expansão acumulada de 5,1%, dentro do intervalo previsto. As previsões para o PIB anual iam de 4,90% a 5,50%, com mediana de 5,20%. O PIB em valores correntes de 2008 totalizou R$ 2,9 trilhões.   A taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 19% em 2008 ante 17,5% em 2007. A taxa de poupança (poupança/PIB), por sua vez, foi de 16,9% em 2008, com recuo em relação a de 2007, que tinha sido de 17,5%.   PIB per capita   O PIB per capita (divisão do valor do PIB - R$ 2,9 trilhões em 2008 - pela população residente no meio do ano, de189,6 milhões de habitantes) ficou em R$ 15.240,00 em 2008, com alta de 4,0% ante o ano anterior. Em 2007, a expansão do PIB per capita havia sido um pouco maior (4,5%).   A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, disse que o aumento do PIB per capita foi menor no ano passado do que no ano anterior porque acompanhou a pequena desaceleração no próprio crescimento do PIB, que havia sido de 5,7% em 2007 e passou para 5,1% em 2008.   Entenda o que é o PIB   O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.   O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações.   O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.

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