Queda do prazo de financiamentos em abril é efeito de medidas, diz BC

De acordo com diretor de Política Econômica do BC, nas operações para pessoa física, prazo médio foi de 38,1 meses, enquanto em março estava em 39,2 meses 

Renato Andrade, da Agência Estado,

19 de maio de 2011 | 15h43

A redução no prazo dos financiamentos concedidos pelo sistema financeiro em abril é apontada pelo Banco Central como outra evidência de que as medidas adotadas para conter a expansão do crédito, desde dezembro do ano passado, já estão surtindo efeito.

De acordo com o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, nas operações de crédito para a pessoa física, o prazo médio registrado no mês passado foi de 38,1 meses, enquanto em março estava em 39,2 meses. Se a comparação for feita com o registrado em novembro do ano passado, antes das medidas do BC, a variação é ainda mais significativa. Naquele mês, o prazo médio das operações de crédito pessoal estava em 47,5 meses.

Essa redução também pode ser percebida na evolução dos prazos das operações de crédito consignado, que passaram de 57,3 meses em novembro de 2010 para 47,8 meses em abril de 2011. Da mesma forma, ainda que em menor escala, o movimento também foi identificado pelo BC nos financiamentos para compra de veículos. Neste caso, o prazo médio que era de 51,4 meses em novembro do ano passado passou em abril de 2011 para 48,1 meses, praticamente o mesmo patamar registrado em março (48 meses).

"O comportamento tanto das taxas de juros cobradas ao tomador como a redução dos prazos e volumes das operações estão dentro do que se imaginava que deveria ser a resposta do mercado de crédito às medidas", disse Carlos Hamilton em entrevista após a divulgação de relatório regional do BC na capital pernambucana.

Outros dados divulgados nesta quinta-feira pelo BC reforçam o argumento de Hamilton. O volume médio diário de crédito ofertado para compra de veículos passou de R$ 560,8 milhões em novembro, para R$ 396 milhões em abril. Mas em março, a média foi de R$ 385,7 milhões.

O diretor ressalvou, entretanto, que é preciso olhar os dados mensais dessazonalizados para se ter um quadro mais preciso sobre o movimento. Neste caso, a liberação de dinheiro para financiar a compra de carros caiu 17,5% na comparação entre o realizado em novembro do ano passado e o registrado em abril. Frente a março deste ano, o resultado de abril é 0,6% menor.

O diretor do BC fez questão de ressaltar, tanto em sua apresentação quanto durante a entrevista, que as medidas macroprudenciais lançadas pelo governo funcionam como uma "força auxiliar" ao esforço das ações convencionais de política monetária - ajustes da taxa básica de juro - no sentido de conter a inflação e trazê-la de volta ao centro da meta no ano que vem.

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