Queremos entrar em nova fase para crédito de longo prazo, diz Mantega

Ministro disse que BNDES irá repartir com o setor privado a tarefa de conceder esse tipo de financiamento

Eduardo Rodrigues, Adriana Fernandes e Fábio Graner, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2010 | 18h41

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo quer, com as medidas anunciadas nesta quarta-feira, 15, entrar numa nova fase para o crédito de longo prazo, com maior participação do setor privado. Segundo ele, nessa nova etapa, o BNDES vai repartir com o setor privado a tarefa de conceder esses financiamentos de longo prazo. O ministro da Fazenda brincou com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que também está presente no anúncio. Mantega disse que, se não for dessa forma, "Luciano vai receber tanto dinheiro do Tesouro que vai querer dar ordens para o Tesouro."

Mantega disse que o crédito mudou muito no governo Lula. Ele ressaltou que, no início do governo, o crédito correspondia a 22,5% do PIB e que em outubro estava em 47% e deve fechar o ano em 48%.

O ministro disse ainda que houve grande avanço no mercado de capitais e ressaltou: "Temos que continuar dinamizando esse mercado".

Ele explicou que as medidas visam a facilitar esse crédito de longo prazo e ponderou que, no passado, não existia esse tipo de crédito, mas também não fazia diferença porque não havia no País investimentos. "O longo prazo era 5,6,7,8 anos, no passado". Ele ponderou, no entanto, que agora com crescimento da economia os investimentos estão aumentando e eles precisam ser financiados com créditos de 25,30 anos. Os grandes projetos voltaram, por isso, ressaltou Mantega, foi necessário tomar essas medidas de incentivo.

Mantega afirmou que a criação de um fundo de liquidez para títulos privados tem o objetivo de ampliar o acesso ao mercado brasileiro de debêntures, aumentando a liquidez do mercado secundário desses papéis. "Já temos um mercado modesto, praticamente fechado, acessível apenas a fundos, restrito para o restante dos agentes",disse. Segundo Mantega, o fundo que contará com o direcionamento de três pontos percentuais do compulsório do depósito a prazo também poderá contar com aportes adicionais de outros agentes, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o ministro da Fazenda, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai regulamentar a oferta pública de letras financeiras por bancos e outras instituições para dar mais visibilidade a essa oportunidade de formar um funding de longo prazo para as instituições. "O BNDES também ficará autorizado a emitir letras financeiras. Com menor quantidade de recursos do Tesouro, o BNDES terá que ir mais ao mercado", afirmou Mantega.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.