Reação positiva ao orçamento da Espanha dá lugar a dúvidas e críticas

Avaliação é de que o governo espanhol deve enfrentar dificuldades para alcançar as metas

Danielle Chaves, da Agência Estado,

28 de setembro de 2012 | 12h23

SÃO PAULO - A reação positiva ontem ao anúncio do orçamento da Espanha para 2013 teve vida breve. Embora o plano tenha sido considerado em linha com as exigências da União Europeia, avaliações posteriores levantaram dúvidas sobre a capacidade do governo de alcançar metas tão ambiciosas. Além disso, alguns detalhes do plano foram mal recebidos pelos observadores.

Com relação às reformas, o governo espanhol prometeu implementar uma longa lista de recomendações da UE, incluindo eliminação de regulamentações equivalentes estabelecidas por níveis de governo diferentes, relaxamento de rígidas leis trabalhistas e limites para aposentadoria antecipada. A Espanha também prometeu criar uma agência independente para monitorar a política orçamentária e oferecer novos incentivos fiscais para pequenas empresas.

No entanto, algumas medidas orçamentárias foram vistas com ceticismo. Por exemplo, o governo informou que vai aumentar as aposentadorias em 1%, ignorando alertas da UE de que elas deveriam ser congeladas ou reduzidas, e disse que vai usar cerca de 3 bilhões de euros do fundo de reserva para pensões estatais, o que poderá gerar problemas políticos. Além disso, o governo anunciou um imposto de 20% sobre prêmios da loteria.

O ministro do Orçamento espanhol, Cristóbal Montoro, afirmou ontem que os planos - que preveem reformas regulatórias, aumentos de impostos e cortes de gastos - reduzirão as despesas gerais em 40 bilhões de euros (US$ 51 bilhões). Porém, quando levado em conta o aumento de 34% nos custos de financiamento da dívida do governo, percebe-se que os gastos na verdade vão crescer 5,6%.

"Ainda teremos de ver se as medidas fiscais mostrarão os efeitos desejados para que a confiança na economia espanhola possa ser reconstruída", comentaram analistas do Commerzbank. "Em uma olhada rápida na atual meta de austeridade espanhola não vemos um bom sinal: o país provavelmente não atingirá nem a meta de déficit de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que já foi relaxada recentemente", acrescentaram.

Analistas do Barclays também expressaram reservas em um relatório a clientes. "Nós continuamos acreditando que será difícil para a Espanha atingir suas metas fiscais", disseram, acrescentando que "as previsões para desemprego e dívida pública anunciadas pelo governo estão na ponta positiva" do orçamento. O Citigroup também levantou dúvidas sobre a credibilidade das metas e a possibilidade de elas serem alcançadas e destacou que a Espanha ainda precisará pedir ajuda.

Além das críticas aos planos para o orçamento, pesam contra a Espanha a divulgação dos testes de estresse dos bancos, prevista para as 13h (de Brasília), e a expectativa de que a agência de classificação de risco Moody's possa finalizar hoje a revisão do rating do país e rebaixá-la para grau especulativo. (Com informações da Dow Jones)

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