Real está próximo de seu ponto de equilíbrio, aponta estudo

De acordo com análise do IiE, apesar da crise do euro e do enfraquecimento das moedas de países emergentes, taxa efetiva do real continuava sobrevalorizada no final de outubro

Fábio Alves, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 14h09

O real já está sendo negociado muito próximo do seu ponto de equilíbrio, segundo os pesquisadores do Peterson Institute for International Economics (IIE), um centro de análise e pesquisa econômica sediado em Washington, capital americana. Mesmo com o agravamento da crise da zona do euro e o enfraquecimento das moedas de países emergentes nos últimos dois meses, a taxa efetiva do real, ponderada pelo comércio internacional, ainda estava sobrevalorizada em mais de 5% ao final de outubro. Essa sobrevalorização da taxa cambial ponderada pelo comércio da moeda brasileira, comparada com uma taxa de câmbio de equilíbrio elaborada por William R. Cline e John Williamson, economistas do IIE, chegou a atingir 10% em abril deste ano.

Já em relação ao dólar, ou seja, quanto o real precisaria valorizar-se ou desvalorizar-se para se alinhar com um câmbio de equilíbrio medido em dólar, a moeda brasileira passou de uma sobrevalorização de 4,1% em abril deste ano, a uma taxa de R$ 1,58 por dólar, para uma situação de leve subvalorização no final de outubro, quando Cline e Williamson tomaram por base uma cotação de R$ 1,71 por dólar, que era a média da Ptax, a taxa oficial de câmbio do Banco Central, dos dias 27, 28 e 31 de outubro. Com a cotação de R$ 1,71, o real precisaria apreciar-se 1,5% para se aproximar da taxa de câmbio de equilíbrio medida em dólar. Hoje, às 12h33, a taxa Ptax do BC estava em R$ 1,7776.

No estudo "A situação atual da moeda", Cline e Williamson calculam as taxas efetivas e de equilíbrio de 30 moedas. Para a taxa de equilíbrio, definida pelos dois economistas do IIE como a taxa pela qual os desequilíbrios externos e os fluxos de capital seriam sustentáveis indefinidamente, levou-se em conta as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para os resultados da conta corrente no médio prazo, contidas na edição de abril deste ano da publicação World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial) do FMI.

"O real brasileiro estava se apreciando ante o dólar até setembro, mas então desvalorizou-se contra o dólar mais do que a maioria das outras moedas, o que fez com que sua taxa efetiva diminuísse, resultando numa redução líquida da sua sobrevalorização (o que pode ainda estar subestimada, em razão das projeções relativamente otimistas do FMI)", afirmaram Cline e Williamson no relatório.

Já o dólar, com base na comparação entre a sua taxa efetiva, ou ponderada pelo comércio internacional, e a sua taxa de equilíbrio, estava sobrevalorizado em 9,3% ao final de outubro. Na relação bilateral, a moeda chinesa, o yuan (ou renminbi), estava 24% subvalorizada perante o dólar, ou seja, o governo chinês precisa valorizar o yuan em 24% ante o dólar para aplacar a crítica do governo dos Estados Unidos em relação ao desequilíbrio comercial entre os dois países. Mas em abril a sobrevalorização do yuan ante o dólar era de 28,4%.

Em relação ao euro, a cotação de US$ 1,41 por euro no final de outubro deixava a moeda comum do bloco quase 7% subvalorizada ante a moeda americana. Em abril passado, a subvalorização do euro era de 4% ante o dólar. Hoje, às 12h35, o euro valia US$ 1,3509.

No levantamento de Cline e Williamson, a lira da Turquia e o dólar australiano eram as que apresentavam no final do mês passado o maior grau de sobrevalorização levando-se em conta a cotação ponderada pelo comércio internacional, de 22% e 16%, respectivamente. Já as moedas de Singapura e de Taiwan eram as que registravam o maior grau de subvalorização, de 21,5% e 18%, respectivamente.

Tudo o que sabemos sobre:
realequilíbrioiiewashington

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.