Real não está em nível sustentável para o longo prazo, diz Coutinho

Para presidente do BNDES, fim da política de estímulo quantitativo do Federal Reserve, que deve terminar em junho, pode ajudar em caminho mais sustentável do câmbio

Daniela Milanese, da Agência Estado,

18 de maio de 2011 | 08h05

A taxa de câmbio brasileira não está em nível sustentável para o longo prazo, avalia o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. "Se o real subir mais, não tenho razão para estar satisfeito", afirmou a jornalistas em Londres.

Para ele, alguns fatores precisam se concretizar para que o câmbio siga um caminho considerado mais sustentável. Um deles é o fim da política de estímulo quantitativo do Federal Reserve, que deve terminar em junho.

Coutinho se mostrou preocupado com o excesso de liquidez internacional, que estimula as empresas a captarem fortemente no exterior.

O presidente do BNDES avalia que a política frouxa do Fed contribui para a apreciação do real e das commodities, por isso o fim do programa trará ajustes nesses mercados. Ele admitiu que a demanda expressiva dos países em desenvolvimento também gera pressão sobre os preços das matérias-primas, daí a necessidade de moderação do crescimento.

Mas, avalia que seria uma "estupidez" se os emergentes interrompessem seu processo de avanço econômico, porque isso geraria consequências negativas para toda a atividade global.

Segundo ele, a recuperação das nações desenvolvidas é outro ponto necessário para o ajuste do câmbio no Brasil. Coutinho defendeu a necessidade de "mitigar os movimentos excessivos" que tiram o real do caminho de sustentabilidade de longo prazo. "Esse não é o meu trabalho, mas precisamos mostrar quando o câmbio está prejudicando muito (a indústria)." 

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