Real se desvalorizará quando Europa e EUA elevarem juro, diz Mantega

Segundo ministro, as entradas da moeda norte-americana estão voltando a níveis mais normais

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

20 de maio de 2011 | 15h59

Os fluxos de entrada de dólares no Brasil estão retornando para os níveis normais, e o real começará a se desvalorizar quando as taxas de juros começarem a subir nos EUA e na Europa, afirmou o ministro das Finanças, Guido Mantega, nesta sexta-feira, 20.

"Quando houver uma mudança na política monetária nos países avançados, o real se desvalorizará", afirmou Mantega em entrevista ao The Wall Street Journal e à Dow Jones Newswires. "Quanto, eu não sei, mas o real vai se desvalorizar e isso contribuirá para a competitividade das empresas brasileiras."

O Brasil restringiu a "torrente" de dólares que entrou no país nos primeiros três meses do ano e, após uma forte reversão em abril, as entradas da moeda norte-americana estão retornando para níveis mais normais, disse Mantega.

"O Brasil atrairá capital externo. Nos não queremos interromper a entrada de capital, nós só não queremos uma torrente", acrescentou o ministro.

No início deste ano, o governo brasileiro impôs taxas adicionais sobre a tomada de empréstimos de curto prazo no exterior depois de ficar preocupado que grande quantidade de dinheiro estava sendo tomada emprestada nos exterior e transformada em crédito para o consumidor no Brasil.

Mantega afirmou que o governo continua a monitorar as tomadas de empréstimos no exterior e adotará medidas adicionais se houver qualquer "exagero" nos fluxos de capital para o País.

O ministro afirmou que o governo está conseguindo cumprir com suas metas para este ano e o País está registrando um superávit comercial acima das expectativas.

Mantega disse também que pretende ter prontas em dois ou três meses duas alterações no código tributário, que, segundo ele, reduzirão a carga de impostos sobre as empresas e ajudarão a aumentar a sua competitividade. Há um amplo consenso a favor da reforma tributária, disse o ministro, e as medidas poderão ser aprovadas ainda neste ano, de modo a entrar em vigor em 2012.

O governo quer simplificar o imposto de valor agregado cobrado dos Estados, conhecido como ICMS, e eliminar 20% dos impostos federais que incidem sobre a folha de pagamento, segundo o ministro.

"Essas duas importantes reformar que serão feitas neste", destacou Mantega. "Isso reduzirá o custo trabalhista do trabalho sem afetar os trabalhadores". As informações são da Dow Jones.

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