Reativação da Telebrás pode reduzir investimento privado, diz Telefônica

Em 2010, setor havia programado investir R$ 17 bilhões

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

28 de maio de 2010 | 13h13

A reativação Telebrás decidida pelo governo com objetivo de ampliar os serviços de banda larga no País pode reduzir o volume de investimentos programado para o setor privado em telecomunicações, que esse ano é R$ 17 bilhões. O alerta foi feito hoje pela diretora de Relações Institucionais e Desenvolvimento de Negócios da Telefônica, Leila Loria, após palestra no III Fórum Brasil-União Europeia, no Rio de Janeiro.

Segundo Leila, o projeto anunciado pelo governo ainda é muito vago e essa insegurança pode afetar os investimentos em infraestrutura no setor, que são de maturação de médio e longo prazo. "Do decreto para a vida real ainda tem muita coisa a entender." E completou: "Se não houver segurança, os investimentos, por exemplo, em fibra ótica, não saem. O  investidor não faz", afirmou.

A executiva explica que as companhias vão acabar reduzindo a perda de mercado com a entrada da Telebrás com menos investimentos. "Se você reduzir em 20% (os investimentos), por exemplo, você já cobre isso", disse.

Segundo ela, uma das questões que o setor vem buscando entender é quais novos serviços sairão das companhias de telecomunicações para a nova Telebrás, que é estatal. "O serviço público é importante para as teles. (...) Há grandes empresas governamentais que dependem do nosso serviço." Conforme Leila, se a prestação de serviços para a administração pública migrar para a Telebrás será uma nova realidade de mercado para os grupos. "Quando as companhias compraram as concessões (durante a privatização da Telebrás), elas previam que haveria também o mercado de serviços públicos. Então, isso é uma mudança na regra. Não chega a ser uma quebra de contrato, mas, é uma mudança nas regras do jogo", afirmou.

Leila observou que o fato de haver um novo competidor não preocupa, o que causa insegurança é a possibilidade de haver condições diferenciadas para a atuação no setor. 

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